O Cruzeiro, a Cigarra e cachorros

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Nem sei precisar quanto nem mesmo quais delas, mas as revistas O Cruzeiro e a Cigarra tiveram um papel importante na minha vida. Sei disso porque lembro de reportagens até hoje, de artigos do Nelson Rodrigues, de fotografias. Como parto do princípio de que o que fica na memória é o que realmente importa ( para o bem ou para o mal) acho que foram fundamentais no meu desenvolvimento. Não sei bem em que setor, mas foram…

Lembro de fotos de Eva Perón e sua morte e velório. Fazem hoje 58 anos e eu, aos dois anos, não sabia ler. Mas já era viciada em palavras e imagens. Não havia TV em casa nem revistas, mas sempre havia uma vizinha que comprava. Ou uma prima. Ou quando a gente ia ao cabeleireiro cortar cabelo.

No caso de a Cigarra, como eu passava algumas férias na casa de uma tia, lia lá. Ou melhor, folheava lá.

Me impressionaram as fotos de Evita. As roupas. O charme.  Devo ter visto isso alguns anos após a morte. Não sou tão boa de memória assim.

Assim também quando da morte de Carmen Miranda. De novo os sapatos, as roupas, os olhos pintados.

Também não esqueço  das fotos das misses. Todas de maiô  recatadíssimo, com uma espécie de concha por trás, servindo de cenário. De Adalgisa Colombo, de Terezinha Morango, de Martha Rocha. Essa a gente comprava em casa. Pra alegria da minha mãe e deleite dos meus irmãos.

Havia o Nelson Rodrigues, que eu achava um chato mas assim que aprendi a ler, lia. Não entendia aqueles enredos, aquelas histórias, mas lia. Não conseguia não ler. E Millor.

Hoje não assino revista alguma. Mas tenho uma vizinha que me pede os jornais da semana, depois de lidos. Ela tem dois cachorros comportados, daqueles que fazem nos jornais o que a gente tem vontade de fazer também, muitas vezes.

Em troca, mesmo sem eu pedir, ela me passa as revistas semanais.

E eu, que já aprendi a ler um bocadinho, me pego apenas folheando essas revistas. Porque não dá pra fazer mais nada com elas.

Ou melhor, daria se minhas cachorras não estivessem acostumadas a fazer suas necessidades na grama.

Ou eu no banheiro.

2 thoughts on “O Cruzeiro, a Cigarra e cachorros

  1. Lembro bem da “O Cruzeiro” pois tinha o Amigo da Onça. Meu pai colecionou por anos a Manchete, para que os filhos – nós – pudessem ver como era o mundo quando nasceram. Como não sou saudosista, apesar de ter boa memória, vou imaginando como será o futuro. Esperando que haja um.

  2. Minha tia também colecionava. Mas eu, apesar de achar muito legal o argumento de guardar pros filhos “verem como era o mundo quando nasceram”, confesso que não consigo colecionar Veja ou Isto é. Acho melhor meus netos – se os houver – não saberem como era o mundo através das atuais revistas 😉

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