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Voltei pra USP. Todo ano que posso, volto.

Desta vez, porém, volto nos meus termos. Fazendo aquilo que gosto, sem preocupações se terei emprego depois de formada, se vou me manter, essas coisas todas que arruínam nossas escolhas, porque envolvem valores que não têm todos a mesma importância. Posso buscar uma carreira super valorizada, mas que o dia a dia me leve à loucura, à infelicidade. Ou buscar algo que eu ame de paixão mas para o qual não tenha o menor talento. Conheço alguns: médicos que não podem ver sangue, cabeleireiros com problemas de visão, psicólogos desatentos e desinteressados do ser humano.

Agora volto para cursos que eu escolho por prazer. Hedonismo puro. Aliás, é o princípio que norteia minha vida, com a idade. Não deu prazer? Raspa fora! Levando em conta, é claro, que prazer é algo bastante relativo. Pessoal. E intransferível.

No curso, vejo com prazer a meninada da graduação. Todos têm idade pra serem meus filhos. Isso poderia dar um distanciamento, mas por experiência, sei que com mais algumas aulas o distanciamento termina. Eu aprendo com eles e eles aprendem comigo. Estou numa idade em que o Stanislaw chamaria – com acerto – de testemunha ocular da história. Pelo menos das histórias que a gente anda aprendendo por lá.

Mas por enquanto, o bom mesmo, são os intervalos.

Desde a ida a lanchonete, que o prédio ultra moderno em que temos aula não possui, até os papos entreouvidos.

Na lanchonete, a mais perto, uma aventura gastronômica arriscada, peço café com leite e o tiozinho me pergunta se o “café com leite é puro ou com leite”. Tudo bem, a vida não tá fácil pra ninguém…

Depois entreouço uma apresentação entre colegas:

“Fulano, você precisa conhecer Beltrano, vocês dois fazem teatro, vão se dar bem.

Você é de qual companhia?

Do Coletivo negro.

Ah, aquela que ocupou aquele espaço…?

Não, você está confundindo com o Melanina Acentuada.”

Eu engasguei com o café com leite com leite.

 

 

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