ainda se usa?

Standard

Existe conflito de gerações. Acho que não é bem conflito, mas antagonismos de modernidades.

Minha avó ficava extasiada com telefone e televisão. Nunca aprendeu a usar bem nem um nem outro, mas se maravilhava, ela que conheceu rádio galena e telefone de manivela.

Eu me fascino com I-pod, com aplicativos que facilitam minha vida, e, sem dúvida, com micro-ondas.

Mas nunca, nem nos tempos da minha avó, nem no tempo de meus pais, nem no tempo dos meus filhos, estes já passados dos trinta, percebi mudança de conceitos de educação, de valores, de convívio social.

A televisão quando veio trouxe nossos vizinhos pra mais perto (os televizinhos) e a família para a sala. Até se difundir e baratear tanto que muita gente tem um monte delas, em todos os cômodos da casa e até no carro ou no celular. Não me parece muito interessante, dado o nível da maioria dos programas, mas enfim…

Mas mesmo ela não abalou costumes. Minha mãe dizia e eu ainda digo a famosa frase: “desliga isso e vem almoçar”. Almoçar junto ou jantar, estando os membros da família em casa, ainda é um conceito por aqui. Embora deva confessar que eu, sozinha em casa em horário de almoço, almoce na frente da TV vendo noticiário, muitas vezes com a panela no colo, pra não ter que lavar prato. Faça o que eu digo, não o que eu faço, outra frase que eu e minha mãe partilhamos.

Mas o celular, ah, esse sim mudou conceitos.

E pra pior. Insuportável conversar com alguém que manuseia o celular enquanto conversa com você. Olho no olho? Nem pensar!

E na rua, quando você está andando tranquilamente pela calçada e alguém vem ao seu encontro, celular em punho e pescoço dobrado feito pelicano? Por que sempre eu, que não uso celular andando, tenho que desviar? Estou me rebelando ultimamente.

Na direção. Antigamente ao ver alguém ziguezagueando na direção na nossa frente, a gente sempre achava que o infeliz tinha passado da conta na bebida. Hoje? Celular na mão, pode ter certeza. Medo.

Em toda parte, em todos os países.

Acho que a saída, se alguém quiser encontrar saídas, seria ratificar aquelas regras de educação e civilidade que minha avó aprendeu, que minha mãe aprendeu, que eu aprendi e que ensinei a meus filhos. Ensinar que é profunda falta de educação falar com alguém sem dar atenção, andar sem olhar por onde pisa, fotografar sem pedir permissão, e por aí vai.

Ninguém me mostrou ainda que esses valores estejam ultrapassados. A não ser que a tecnologia e o uso que fazemos dela sejam as pautas filosóficas e éticas destes tempos modernos.

Pode ser. Pode ser que venha aí uma nova ética.

Meu tempo aqui já não é tanto assim.

Ainda bem.

Suporto pouco certas mudanças.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *