bem que eu queria

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Com uns sete anos, chega o garoto. Com aquele olhar de curiosidade típico, que a gente perde ou esconde com o passar dos anos.

Minha mãe, por exemplo, dizia que era “feio” ser perguntadeira. Foi matando aos poucos minha curiosidade explícita, porque a de dentro ninguém vai matar não.

Mas o menino veio vindo, de mãos dadas com o pai.

E nós, família quase completa, com as duas filhas de quatro patas, fomos indo também. Uns na direção dos outros, pela calçada.

Garoto fixa os olhos na Mancha, minha quase border collie, muito mais bonita porém, mais branca do que preta, com aquela mania de olhar nos olhos cada um que se aproxima. Curiosa, ela também.

Menino estende a mão e recua no ato. Mancha se adianta, cheirando a mão, o menino, o ar em volta.

Ele apavora.

Com a curiosidade e a vontade saltando pelos olhos, responde ao pai que lhe pergunta se não quer por a mão na cachorra:

Bem que eu queria…

E vai embora.

Ele e sua curiosidade, mas também seu conformismo com suas limitações.

Além da minha mãe e suas teorias sociais, o medo também acaba por travar a curiosidade, na minha opinião, o motor do mundo.

Pena.

Bem que eu queria que não fosse assim.

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