big noise

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Desde que me contaram a história de Pedro e o lobo eu fiquei impressionada.

Porque é isso mesmo. Sei lá porque, mas o ser humano se acostuma e deixa de ligar pra coisas repetidas.

Inclusive uma das técnicas pra se eliminar medo de algumas coisas é exatamente essa: a exposição ao fator que produz ansiedade e medo. Eu porém não gosto muito dessa técnica. Assim como também nunca gostei de estímulos negativos pra mudar comportamento de ninguém. Minha claustrofobia, por exemplo, está controladíssima graças a minha paixão por viajar. Aguento avião classe econômica até não poder mais, só pelo prazer da chegada.

Mas divago. O fato é que isso de Pedro e o lobo me veio à mente por conta de um hotel em que ficamos hospedados, na viagem mais recente.

O hotel era meia-boca, é verdade, mas combinava com o tempo que ficaríamos na cidade e com nosso bolso. Era limpo e ponto.

Sei lá porque, mas em todos os quartos havia quadros do Malkovitch que, apesar de eu até gostar como ator, não acho esteticamente aconselhável. Até a sala de reuniões do hotel chamava-se Malkovitch. Ou ele era o dono ou o dono tem uma paixão enorme por ele.

Eis que numa noite, às 4 da manhã, fomos acordados por um alarme alto.

Acostumada que estou com os alarmes de carros sendo ou não roubados aqui em Sampa, fui dar uma olhada na janela por via das dúvidas. Pura xeretice.

Nada encontrando, voltei a dormir.

Às 4:20 novamente o alarme dispara.

Aí já estava ficando chato. Maridão liga pra portaria e com fleugma pretensamente inglesa pergunta “que som estranho era aquele”. A recepção pede mil apologizes e diz que na realidade foi um falso alarme de incêndio.

Pois é isso. Todo o hotel tinha se levantado e saído dos quartos, que incêndio em prédio antigo  é coisa muito séria. Mas os brasucas aqui, que só se preocupam – medianamente, devido à constante exposição – com assaltos, nem ligaram e continuaram dormindo.

E o hotel nem aí, porque se fosse incêndio mesmo, deixaria a gente lá, virando churrasco britânico.

Ainda não foi dessa vez.

Em tempo: ironicamente o hotel chamava-se Big Sleep.

E quem pode ter um big sleep com um barulho desses?

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