ônibus abalroado

Standard

mãos

Entro no ônibus absolutamente vazio.

Só os de praxe: motorista e cobradora.

A conversa vai animada entre eles. E não tem como não prestar atenção, nem eles falam baixo, também eles não prestando atenção nos dois únicos passageiros.

 

Abaroar. A palavra é abaroar.

Será mesmo? Olha lá, não vá me fazer pagar mico. Acho que tem um “l”.

Tem nada. Eu sei. O “l”só teria se fosse abaloar, mas aí é coisa de balão, não de carro.

Vou te explicar: abaroar é quando rela e foge. Se fica é “bater”.

Eu ainda acho que tem “l”. Vou perguntar na garagem

Ninguém lá sabe mais do que eu!

Sabe sim, o Alcides fez faculdade.

E isso importa? Eu tenho certeza: é abaroar. Põe aí no relatório.

Eu acho que vou por mesmo é “o carro se plantou na frente do ônibus”…

É abaroar. Não vem com brincadeira.

 

Daí chegou nosso ponto e descemos. Não sem antes morrer de vontade de dar um pitaco, mas mamãe já me ensinou que não se dá pitaco em conversa alheia.

Mas quem sabe eles gostem de crônicas?

Olha aí, amigos, eu fiz faculdade mas apesar disso tenho certeza que o certo é “abalroar”. Eu e a torcida do Corinthians, passando pelo Pasquale e o google. Podem crer!!

E antes que me esqueca: esse negócio de relar e fugir é outra coisa. Na minha época era pique, esconde.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *