arma de fogo

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Lendo os jornais do dia, tantas mortes, tantos assaltos. Tanta arma de fogo.

Aqui e em toda parte. Na vida, na ficção.

Eu, que detesto violência, sob qualquer pretexto, mal consigo assistir a algum programa na TV. Tirando os de violência explícita, quer sejam noticiários, filmes, programas e até mesmo desenhos infantis, pouco sobra. Música erudita. Ou a culinária da Palmirinha.

Certa vez meu irmão do meio, na década de 50, conseguiu ser assaltado ao voltar para casa. Digo conseguiu porque naquela época era raríssimo.

Meu pai trouxe para casa, dias depois, uma arma.

Uma arma brilhante, pequena, não sei qual calibre, mas prateada e pequena.

O que foi grande, eu diria enorme, pela lembrança que me ficou, tantos anos passados, foi o auê que minha mãe fez. A chapa esquentou, lá em casa.

Depois de ver a arma e meus irmãos brincando com ela no ato, de “mocinho e bandido”como se dizia na época, minha mãe chegou rapidinho à frase símbolo das brigas de casal: ou ela ou eu. Se essa arma fica, eu saio.

Ela não saiu, é claro.

A arma sim.

Mas não as balas, não sei por qual motivo.

Que, prateadas e com a ponta vermelha, durante um bom par de anos fizeram a festa minha e das amiguinhas nas nossas tardes de “estrela de hollywood”, quando montávamos camarins e nos vestíamos de divas com as roupas da mãe.

Melhor batom que aquelas balas prateadas de bico vermelho e que não faziam mal nenhum à saúde – pelo menos fora do cano de origem – não havia!!

Quem tem uma arma em casa pretende usá-la. Mesmo que diga que só em caso extremo, de legítima defesa , pretende usá-la se necessário.

Não acredito em se defender causando a morte de alguém, a morte é a morte. Mas aceito que isso seja a justificativa de alguns. O que não aceito é  manter em casa a possibilidade sempre latente dessa morte, que significa ela cair em mãos erradas.

Lembro com saudade das minhas brincadeiras com aqueles “batons”de bala. Mas sei que, não fora minha mãe, eu também teria brincado de faroeste com aquela arma. E aí a história poderia ser outra.

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