meta do ano

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sabiá laranjeira

Tem um monte de bicho aqui em casa.Vou falar dos pretensamente irracionais.

Duas cachorras. Uma espécie de dupla canina do gordo e o magro, só que não. São a alta e a baixinha. A inteligente (baixinha) e a lerda (alta). Ainda estou em dúvida se serão ou não racionais. Pelo menos em relação à baixinha, de uma competência atroz pra achar comida, nem que para isso tenha que usar de suborno, de subterfúgios, de roubo.  Ambas vieram das ruas, acostumadas à vida real e não a pet shops metidos a besta.

Uma dezena de lagartixas. De todos os tamanhos, desde a quase lagarto à quase formiga. Não entendo muito de lagartixas mas devem variar de acordo com a idade, acho eu. Pelo menos as daqui de casa, todas aparentadas e de vida boa, que eu não sou mulher de ficar matando lagartixas.

Várias formigas. Algumas tão microscópicas que eu só sinto, não consigo ver. Essas ficam aqui por perto do computador. Gostam de fios, de rede wireless, de modernidades. Açúcar é coisa pra formiga fraca. Estas aqui de casa curtem rede elétrica.

Aranhas. Bem magras e pernaltas, põe a cara de fora quando eu corto a grama. Dizem que a pior delas é uma tal de armadeira, bem simpática até. Mas, tal como no caso das cobras coral- a falsa e a verdadeira- como eu não sei distinguir uma armadeira de uma não, eu mantenho distância. Lagartixa eu não mato de dó. Aranha eu não mato de medo.

Pássaros cada vez mais abusados. São bem-te-vis, sabiás laranjeiras, pardais, andorinhas, maritacas, até pica-paus frequentando  nosso quintal.  Não ligam nada pras cachorras e pouco pra mim. Quando a coisa tá fraca em matéria de comida natural, avançam na ração das cachorras.

E cagam. Esse é o problema. Como custa limpar aquelas manchas brancas! Tenho um monte de grama, mas eles preferem fazer de banheiro o piso. Acho que se divertem com minha raiva. Penso até já ter ouvido uma maritaca rir de mim.

Certa vez achei uma barata. Matei no ato. Barata comigo é assim. Mato antes e pergunto as intenções depois. Odeio pouca coisa neste mundo. Barata é uma delas.

Ontem achamos uma enorme lagarta nas plantas. Foi pena mas também tivemos que matar. Pena porque eu adoro borboletas, então suporto a fase lagarta. Mas também adoro minhas plantas, então foi legítima defesa.

E, finalmente, ainda transitam pela casa dois animais racionais. Temperamentais, sentimentais, às vezes caricaturais.

Fazer o quê? O bicho humano é assim.

Convívio é a palavra-chave de 2014.

Que as baratas não venham em minha direção e as maritacas parem de cagar no piso.Afora isso, tentarei manter a resolução do ano.

Convívio e harmonia.

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