disco voador

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Dia primeiro do ano. Um enorme disco voador pousou em São Paulo e abduziu todo mundo.

Bom, quase todo mundo. Eu, maridão e filhos ficamos. E mais uma meia dúzia de pessoas.

O critério da (não) abdução deve ter sido o gosto cinematográfico. Nós e a meia dúzia restante fomos todos assistir a “grande beleza”, um filme italiano.

De ônibus, pelo menos nós.

Carro parado em  casa que é lugar de carro ficar e não entupindo ruas.

Vinte minutos de ônibus num percurso que costuma levar de uma a duas horas. Sentados no melhor lugar, que o ônibus estava tão vazio que dava pra escolher a janelinha.

Na altura da Paulista, duas moças entram, 20 e poucos anos, talvez. Alegres, sorridentes, bonitas.

Cumprimentaram o cobrador e as pessoas do ônibus com um sonoro boa tarde, com sotaque.

Sim,  sotaque de africanas, talvez Angola.

E aí a gente fica pensando, em qual lugar do passado ficou o hábito tão bonito de cumprimentar as pessoas e desejar-lhes um bom dia?

Fiquei tão surpresa com o cumprimento que não respondi. Quando acordei do estupor elas já tinham ido pra longe.

Estou acostumada que as pessoas me cumprimentem no bairro onde moro. Explica-se: bairro de periferia, povoado de migrantes, muitos do interior, acostumados a cumprimentar ainda.

Além do mais, descobri que a idade confere um certo ar de austeridade, de respeito, mesmo que as roupas e o cabelo vermelho não colaborem.

Mas aquelas moças, do outro lado do Atlântico, no primeiro dia do ano, me deram a impressão de estar num mundo melhor.

Também tenho que agradecer muitíssimo ao enorme disco voador que abduziu todo mundo.

Mesmo que hoje ele já tenha devolvido a multidão abduzida.

Tomara que tenha devolvido melhor.

Ou vou ter que ir pra África em futuro próximo.

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