Godot na espera

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Felicidade é o espaço entre dois eventos desejados.

Sempre foi assim.

Esperar crescer. Ter enfim trinta anos, pois depois de ler Balzac nada mais havia a fazer pra se sentir efetivamente mulher poderosa do que esperar ter trinta anos. Uma felicidade que afinal, quando chegou,deixou muito a desejar.

Esperar presentes de Natal/aniversário, já que por muitos e muitos anos foram um só. Karma de quem nasce entre festas de fim de ano. No dia seguinte ao natal já passou a novidade.

Bom mesmo é esperar. Não deve ser assim pra toda gente, mas é pra mim.

Uma vocação para arrumar, fazer listas, preparar, tentar não esquecer de nada. Eu deveria ter sido almoxarife, organizadora de eventos , governanta. Sou boa nisso.

Esperar amados que chegam de viagem.

Esperar viagens.

Esperar novas paisagens, novos ares, novas línguas.

Mas nem toda espera vale a pena. A espera em filas, a espera em bancos, a espera em consultórios, a espera de ônibus, a espera em caixas, essas esperas são exasperantes.

Porque nada de bom vem depois de tanta espera. Na melhor das hipóteses, o alívio porque a coisa esperada já passou.

Mas esperar pelas coisas boas é o melhor da festa.

Porque depois que a festa começa só o que tem pra esperar é o fim dela.

Como na vida. Entra ano, sai ano, e eles só diminuem.

Gosto de pensar ser imortal, mesmo a imortalidade do Vinicius, aquela que só durava enquanto existisse.  Mas não sou. Então, mesmo esta espera que é a vida, pra uns longa, pra outros nem tanto, é uma boa espera.

Mesmo pra quem, como eu, acredita que a festa é aqui mesmo.

Enquanto isso, toca organizar, listar, inventariar, polir e limpar.

Pra festa do fim dos dias.

Ou do ano.

O que vier primeiro.

PS: Feliz 2014!!

 

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