a pátria em chuteiras
A pátria veste novamente as chuteiras. Até aí, tudo bem. Até eu torço pra seleção. A brasileira, a uruguaia do Forlan, a argentina, por questões afetivas, a de Camarões, por questões estéticas, a espanhola por simpatia. Eu sou uma torcedora eclética e plural.
Mas me atormenta o clima por aqui. Eu que não sou tão fanática por futebol assim, escolho – ou tento- os horários de jogos pra fazer coisas. Tentei, sem sucesso.
Fui olhada feio no supermercado – o que estava aberto – fui xingada no trânsito por respeitar semáforo fechado nos minutos que antecederam o jogo, fui buzinada, fuzilada, maltratada.
Isso não é razoável.
As pessoas andam muito estressadas. Ou mal-educadas.
Assistem aos jogos dizendo barbaridades dos adversários. Gente que eu achava normal e comedida, berra seus desejos homicidas defronte a TV. Deseja que uns e outros quebrem pernas dos adversários, ordena ataques a canelas alheias, dá ordens de matança geral e indiscriminada.
Brincadeiras inócuas?
Não sei não.
Jogo é jogo. Disputa é disputa. Mas a mãe dos outros não tem culpa de nada nem está em campo.
E pena de morte ainda é proibida neste país.
Eu, heim?!
Ainda bem que é só de 4 em 4 anos.
É assim: eu torço para o Brasil em qualquer cirscunstância, depois torço contra a Argentina. Tenho simpatia por algumas seleções como Portugal Holanda e Camarões. Durante o jogo me agito, dou ordens aos jogadores como se eles pudessem me ouvir e prevejo as substituições; dou veredito às faltas e impedimentos de modo imparcial. Quando acaba o jogo, qualquer que seja o resultado, volto às condições normais de temperatura e pressão. A menos que tenha vencido a Argentina.