insone

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Dormir ou não dormir tem se tornado uma questão, mais do que ser ou não ser.

Eu costumava dormir quase dez horas, sem interrupções.

Costumava.

Hoje durmo umas seis, cheias de interrupções.

No começo, dei pra fazer tudo que me indicavam, desde tomar coisas a pensar em coisas.

Não tomo soníferos nem calmantes por princípios. Quero dormir, não ser dormida. Gosto da minha lucidez, mesmo nas piores madrugadas, aquelas que não passam.

Mas tomei muito chá, leite quente, essas coisas. Além de não adiantarem nada, ainda me prejudicavam, pois acabava acordando mais vezes pra ir ao banheiro, dar conta de tanto líquido…

Depois tentei não pensar em nada. Apagar. Já tentaram não deixar nenhum pensamento se instalar na cabeça? Aí sim é que eles se instalam, feito cracas. Não pensar é mais torturante, por vezes, do que pensar.

Aí passei a contar carneirinhos. Além de me tornar perita em contagens, de trás pra frente e da frente pra trás, ainda perdia o sono.

Tentei ler. Funciona quando o livro é ruim. Quando o livro é bom, o tiro sai pela culatra. Aí não durmo enquanto não acabar. E cá entre nós, ler livro ruim pra que?

Ouvir histórias. Funciona. Quando minha avó era viva e a gente dormia no mesmo quarto, isso quando eu tinha uns 6 anos, ela contava histórias e eu dormia. Não sei se pelas histórias ou pelo fato de ter seis anos e a vida não ter grandes preocupações.

Hoje até gosto de histórias. Mas maridão, a quem peço que me conte alguma, sempre dorme no meio da história. Contar histórias dá sono. Pra ele. Eu fico lá, acordadona.

Então eu me ponho a construir casas de madeira numa ilha deserta. Deserta mas com toras redondas, cordas, pregos, serrotes e martelos. E, é claro, uma clareira jeitosa numa esplanada bem alta pra evitar a maré.

Então eu construo. Faço encaixes nas toras e boto umas sobre as outras. Geralmente, antes que eu chegue no telhado já durmo.

O problema é quando chego no telhado sem dormir. Aí tenho que decidir se faço com duas águas, da forma tradicional, ou entrelaço folhas de palmeiras ou faço quatro águas, mais modernas. Enfim, é no telhado que o bicho pega.

E eu perco o sono de novo…

4 thoughts on “insone

  1. já pensei até em laje, que não daria trabalho. Daí começo a pensar que algum amigo venha querer fazer um pagode na MINHA laje…é demais! Durma-se com um pesadelo desses….

  2. Maray, baseado na sua informação de que maridão dorme no meio da história, perguntei à Nina se ela gostaria que eu contasse uma história para ela dormir. Ela respondeu que não, pois ou eu viria com uma pornografia ou uma pataquada. Aí, ela iria cair na gargalhada e não dormiria meeesmoo! Vocês, mulheres, não entendem nossos desejos de ajudar.
    Abração.

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