gaveta de remédios

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Em casa de meus pais, havia a gaveta dos remédios. Cheia de amostras grátis, de xaropes, de violetas de gencianas, de minâncoras, de coisas antigas e outras nem tanto. Um montão de melhoral infantil. Não sei como não tive nunca uma overdose, já que eu adorava lamber ( e depois jogar fora, ao menos isso) aqueles comprimidos docinhos por fora e cor de rosa.

Mas isso são coisas de cinquenta anos atrás.

Quando tive minha própria casa, deixei de ter remédios dessa forma. Não havia nada. Nada até ter filhos. Aí tive que inaugurar minha própria gaveta de remédios. Mas eram homeopáticos: aqueles vidrinhos cheios de glóbulos com nomes estranhos. Beladonas, Tuyas, Kali, arsenicum, essas coisas. Mais um termômetro, uma bolsa de água quente, alguma dipirona que ninguém é de ferro e eu nunca agüentei febre de criança.

Depois a coisa foi ficando sempre assim. Só homeopáticos. Mas em quantidade menor.

De dois anos pra cá, perdi meu homeopata. Não consigo acertar ainda com outro. Já experimentei alguns que nem me sorriem, nem me dão a mão.

Parece bobagem, mas meu melhor remédio ainda é o calor humano. Não consigo entender um homeopata na frente de um monitor, sem sorrir, sem me olhar direito, sem me encostar. Enfim, talvez já não se façam homeopatas como antes, sei lá.

Mas fiquei doente estas últimas semanas. E de repente, em menos de quinze dias, a gaveta de remédios que era tão clean, virou um arsenal alopático. De dar nojo e medo.

Agora que estou boa e a gripe passou, tento jogar fora aquela coisarada toda, mas fico pensando na grana preta que gastamos com eles, aquele bando de remédios. Dá dó. Vai que…?!

Então tá. Até a próxima gripe ou bursite, vou ter que conviver com aquela gaveta asquerosa. Ou até achar um homeopata que me entenda como um ser humano, carentona, que gosta de contato físico, de sorriso, até de tapinha nas costas. Que gosta de ser tocada e olhada nos olhos.

Será que é tão difícil assim, ó céus??

3 thoughts on “gaveta de remédios

  1. Minha mãe tinha uma gaveta de remédios heavy metal, tinha de antibióticos variados até valium, passando por todos os analgésicos dos mais fortes. Com ela não tinha homeopatia e ela adorava amostras grátis. Eu também lambia melhoral.

  2. Na minha casa tinha uma prateleira. No ano passado, quando meu pai morreu, encontramos um ármario lotado de remédios de todos os tipos, muitos já vencidos. Um armário de doido, o que, pensando bem, faz todo o sentido.

  3. Detesto remédios e evito ao máximo. Nunca me dei bem com os homeopáticos, parto para os chás, mas sou obrigado a tomar remédio alopata para meu ácido úrico e para dormir. 😛

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