médicos

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Médico é bom e eu não gosto. O que não quer dizer que não concorde que o direito à saúde tem  que ser pra todos e não só pra quem pode pagar. Mas não gosto de médico.

Na realidade, os coitados nem têm culpa. O que eu não gosto é de ficar doente. E ter que ir ao médico. Por analogia, não gosto de médico.

Quando eu era pequena, só fui uma vez ao médico. Sou do tempo em que pediatra era só um palavrão. A gente nascia ( eu fui a primeira de casa a nascer em maternidade), era criada a leite materno até já sentar no balcão e pedir milk-shake, e sobrevivia. Sobrevivia a todos os machucados, aos arranhões, às quedas. Bom, à maioria delas.

Tive uma coisa bem feia de criança: um panarício no dedão da mão. Não teve jeito, tive que ir ao médico e fazer uma cirurgia.

O resto das coisas que eu e a maioria da família tínhamos era tratada no  farmacêutico do bairro. Na realidade, ele nem formado em farmácia era. O japonês de óculos, seríssimo, tinha estudado até o terceiro ano de medicina, o que fazia dele a referência médica mais próxima e possível de ser paga da região.

Era ele quem tentava me dar injeções ( só conseguiu uma vez), quem me dava indicações como mercuro-cromo e melhoral infantil. Sei lá porque, eu sarava das coisas com isso.

Tudo bem, isso foi há mais de cinquenta anos. De lá pra cá muita coisa mudou.

Ou pelo menos devia ter mudado.

Andando de ônibus hoje (sim, eu uso transporte público ) ouvi a conversa de duas mulheres no banco de trás:

-fulana, tá vendo a minha mão?

-han,ham..

-nem acredita como melhorou. Encontrei o sicrano, que trabalhou muitos anos em farmácia e ele me indicou uma pomada. Tiro e queda!

Bom, eu não consegui ver a mão em questão, mas gelei com a menção da medicação.

Então é isso. Cinquenta anos depois, a coisa parece ter piorado. Nem com estudante de medicina a coisa é feita. Usa-se o balconista de farmácia. No caso, um ex-balconista. Mas que tinha “anos de experiência em farmácia”.

Quanta coisa ainda não precisamos pra fazer deste um país melhor!

Em tempo: terei que fazer nova cirurgia na mão. Desta vez pelo meu “dedo em gatilho”. Pena que um mercuro-cromo não possa resolver isso também…

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