onde foi parar?

Standard

Existe a falta de memória. Aquela que faz com que eu encontre a melhor amiga do ginásio e não consiga lembrar o nome dela de jeito nenhum.

Existe o esquecimento momentâneo ( pelo menos eu acho): aquele em que eu, ao tirar a panela do fogão esqueça de desligar o fogo e, é claro, como Murphy existe e é meu pastor, passe a mão e o braço bem em cima do fogo ligado  segundos após.

Existe o esquecimento da dor da alma depois de um tempão. Aquela dor que a gente acha que nunca vai passar, que o luto será para sempre e um belo dia nem lembra mais do que não iria esquecer nunca.

Existem essas modalidades todas. Mas existe o oposto. A lembrança renitente de alguma coisa que a gente não sabe onde está nem onde foi parar. Mas insiste em ficar lembrando.

Tipo: onde foi parar aquele cachecol que eu ganhei e amei e agora que está um frio de lascar não consigo achar?

Onde foi parar aquela barriga saradinha, quase negativa que eu tinha e me fazia por sempre a mão acima do bikini ao deitar pra evitar o nu frontal visto de esguelha?

Onde foi parar aquele livro que me custou um montão achar e que ninguém mais tem, agora que eu quero reler com calma?

Onde foi parar Salomé Parísio?

Onde foi parar aquele ânimo pra enfrentar dupla jornada e ainda reuniões políticas três vezes por semana, mais panfletagens e discussões pra “conscientizar” a massa manipulada ( por outros que não nós)?

Onde foi parar aquele cabelo macio que eu tinha e que minha mãe tanto elogiava os cachinhos, agora que eu quero os tais cachinhos e minha mãe nem está mais aqui pra elogiar?

Onde foi parar Rose Rondelli?

Onde foi parar meu saco pra burocracia, pra vozes estridentes e trânsito parado? Eu tinha, tenho certeza.

A lista é infindável.  Podia passar laudas por aqui listando. Se eu lembrasse de todas, claro.

E, finalmente, onde foi parar Agostinho dos Santos?

2 thoughts on “onde foi parar?

  1. Maray!!! Salomé Parísio e Rose Rodelli? Você não esqueceu da Virginia Lane, não? Desse jeito você ainda vai perguntar da Luz Del Fuego. Nossa! Na verdade, parece que foi ontem. E o Agostinho? Que voz! Sem esquecer a Dolores Duran. E por aí vai. São pessoas que não se esquece. Agora, não lembrar o nome da pessoa? Pois eu não lembro é da pessoa, mesmo. A Nina, como é esperta e já sabe que eu não sei quem é, nessas horas me salva já dizendo o nome: “Olha, amor! O fulano de tal!” Pelo menos ela tem memória para nomes e fisionomias. Ufaaaaa!!
    Você se manifestou, lá no meu blogue, relativamente ao calendário das exposições de orquídeas que eu publiquei. Quando você for ver uma, me avise para que possa encontrá-la. Neste próximo final de semana, em Pouso Alegre/MG, provavelmente Nina e eu estaremos conhecendo a Claudinha, do blogue Transmimentos de PensAções.
    Abração.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *