incógnitos no bicentenário

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De maneira geral, acho que dá pra dizer que as pessoas querem chamar a atenção. Vide os big brother da vida, a ânsia de fama a qualquer custo, os papagaios de pirata, bom, não preciso explicar. Todo mundo já teve na vida seus quinze minutos ou  pelo menos uns cinco, vá lá…

Não no tango. Não pra mim.

Desde que a gente começou a dançar tango, por aqui mesmo, o sonho de consumo era poder dançar nas milongas porteñas. Não sei se algum argentino morre de vontade de ter samba no pé, mas a gente morria de vontade de assumir ares milongueros.

No começo foi difícil. Brasileiros e brasileiras parece que nasceram com uma carga genética destinada a fazer mexer os quadris. A gente rebola pra começar a andar, tatibitate lá pelos 11 meses e passa o resto da vida rebolando, em muitos e variados sentidos.

Não no tango. No tango não se rebola. No tango não se junta os quadris aos do parceiro, naquela intimidade sambista, forrozeira, funkeada. O buraco é mais embaixo, digo, o abraço é mais em cima. Os quadris não se encostam e a gente fica assim, visto de lado, como um par tímido, formando pirâmide.  Nada de encoxar. No futebol talvez. Tevez. Ops, desculpe, foi mais forte do que eu.

Demorou. São anos que a gente aprende tango. E pretende continuar aprendendo, que isso não acaba nunca, não é que a gente seja lerdo.  E finalmente, depois de anos indo pra Baires, podemos dizer que desta vez a gente passou incógnito.

Que é tudo que a gente mais desejava! Poder bailar numa milonga de bairro, daquelas sem turistas, e ninguém perguntar: de onde?

Se a gente dança tango bem? Não. Ainda não. Mas poder não chamar a atenção já foi um salto e tanto. Segurar a onda, não rebolar, não encoxar, fazer cara de séria, isso foi o máximo!

Tá bom, agora ando com saudade de um bom forró. Daqueles, vocês sabem.

Mas isso a gente sempre pode resolver por aqui mesmo. Na vertical ou na horizontal.

Porque genética é genética.

3 thoughts on “incógnitos no bicentenário

  1. uma vez um gringo falou pra mim, ao pé d’ouvido: dancing is the vertical expression of an horizontal desire, i.e., dançar é a expressão vertical de um desejo horizontal. Gringo, ein? rs

  2. qué bueno, maray! me alegro que haya llegado a ese punto tu baile. lo que no me alegra es que no hayas pasado a saludar…

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