reclamação escatológica

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O assunto é um tanto escatológico, eu sei, mas é preciso pensar sobre ele. Aliás, sobre escatologia em geral, nos sentidos todos da palavra.

Homens e mulheres, cheios de diferenças. Hoje existe mais um monte de sexos, mas normalmente só do ponto de vista do uso, porque do ponto de vista biológico, continuam sendo dois com um ou outro hermafrodita por aí. E outras raríssimas combinações de X com Y.

Uma das diferenças mais gritantes é o modo de fazer xixi. Mulher sentada, homem em pé.

Até aí, chovo no molhado. Ou mijado, digamos assim.

Mas a criação destes homens e mulheres futuros, pelo menos no Brasil, é diferenciada. Em muitas questões e nessa do xixi mais ainda.

Menina é ensinada desde cedo a não fazer suas necessidades em público. A tomar cuidado com banheiros sujos. A forrar assento de vaso sanitário. A se enxugar. A lavar a mão. Tudo a que tem direito, no quesito xixi.

Garoto? Ora, já cansei de ver mães de todas as classes sociais, tirando roupa de menininhos pra eles fazerem suas necessidades líquidas onde estiverem. Com um sorriso cúmplice no rosto, como a dizerem: é criança, ninguém liga.

Eu ligo. Porque esse garotinho vai crescer. E de adulto, num momento de aperto, vai fazer a mesma coisa, que é o que vemos em todo canto pela cidade. Com a maior cara de pau. Foi-se o tempo em que eles tinham pelo menos vergonha e se escondiam. Hoje a gente tem que fingir que não está olhando.

Por que a diferença entre meninos e meninas? Machismo de um lado ( homem pode, homem  deve ser orgulhar de seu corpo) falta de higiene de outro.

Aí, convenhamos, reclamar da falta de banheiros químicos nas manifestações é pura hipocrisia. Onde fica aquele clichê de toda mãe quando leva os filhos pra passear? “ foi ao banheiro?” Esse clichê vale pra vida toda, gente! Previsão de futuro não é só coisa da bolsa de valores. É coisa da natureza humana. Das necessidades humanas. Já foi? Não?Então vá!!

É um assunto esquisito, eu sei. Mas pensar sobre isso e agir não custa nada. Falo ou, melhor dizendo, escrevo isso, porque cheguei ao cúmulo de ver, aqui pertinho de casa, mãe com cachorro e criança, com saco de lixo pra recolher cocô do cachorro na mão, baixando as calças do filhote pra ele molhar a rua. Com aquele sorriso bobo no rosto.

Ah, dá um tempo!

 

4 thoughts on “reclamação escatológica

  1. Maray, é um assunto esquisito, mesmo. Quando a Nina e eu estamos viajando, é o maior drama… para ela. Para mim, qualquer banheiro de posto de gasolina de quinta categoria serve. Tá certo que, depois, reclamo, e muito, da sujeira e do mau cheiro. Mas vou! Para a Nina… Rodamos e rodamos muito, passamos por inúmeros restaurantes de beira de estrada até que ela veja algum digno de recebê-la. Acho que a Marília tem razão. Vai ver que os machos possuem uma bexiga infinitamente menor que as das fêmeas.
    Mas, essa questão de que menino pode fazer na rua, que eu também acho um absurdo (o Adriano, meu filho, nunca fez!), acho que é um tanto cultural. Parece que existem mães que sentem prazer em mostrar: “Estão vendo? É hominho, sim!”
    Abração.

  2. Na rua não consigo fazer, não. Tenho que estar REALMENTE deseperado e a situação ser muito particular: noite escura, local isolado e água pra lavar as mãos. Mas acho que sou o único.

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