meu canivete suiço

Standard

No começo dos tempos tive um canivete que não era suíço. Era de prata, muito pequeno. Acho que ganhei do meu irmão e me foi tirado depois que ameacei a vizinha do lado, armada com o canivete. Eu odiava a vizinha do lado.

Bom, mas isso foi aos 4 anos e hoje meus vizinhos do lado são ótimos.

E eu odeio bem pouca gente.

Mas tenho um canivete suíço. Da melhor espécie. Aqueles que só faltam falar. Por enquanto.

Pra que diabos eu uso um canivete?

Vocês nem imaginam!

Quando viajo não costumo jantar. Já é difícil pra uma vegetariana almoçar fora, jantar já acho demais. Então levo pro quarto de hotel uns yogurtes, umas frutas e uns sucos mais um vinho e um queijo. E voilá! Eis o jantar. Uso o canivete pra cortar o queijo, abrir o vinho, tirar as cascas das frutas. E até poderia palitar os dentes, porque o canivete politicamente incorreto tem até um palito de plástico, mas aí já não dá, né?

Quando saímos pra caminhar por esses matos, muita vez o canivete já serviu de faca, afastando galhos incômodos ou pra pegar fruta no pé.

Já serviu pro maridão lixar unha que quebra. As dele, que as minhas são garras. Não entortam, não lascam, não quebram. Mas quando eu quero cortá-las e estou fora de casa, o canivete vem com uma tesourinha que dá conta do recado.

Ele tem também um abridor de lata mas eu nunca consegui usar. Não deve ser culpa dele, porque aqui em casa eu também tenho dificuldade com o abridor de lata normal.

Tem também uma coisa pontuda, tipo a ponta seca de um compasso, que não sei pra que serve.

E uma colherinha ridícula, que só deve servir pra tomar remédio em gotas. Não deve caber nela mais do que 3 ou 4 gotas.

Ele é pesado, eu sei. Toda vez que viajo de avião tenho que lembrar de tirá-lo da bagagem de mão e certa vez causei uma celeuma no consulado americano por causa dele. Muito neurótico, esse pessoal do consulado.

Eu adoro meu canivete. Tanto que adotei uma versão resumida dele, a mesma marca em formato pequeno, pra quando eu vou dançar, com bolsa “de festa”. Aí eu uso o pequenininho.

Vai que me apareça um vizinho de mesa ou parceiro de dança bem chato? Igual aquela vizinha de pequena, que sentiu o frio do meu “aço” , heim, heim??

6 thoughts on “meu canivete suiço

  1. Marília

    Acredite, você é a primeira pessoa que conheço que, realmente, utiliza o canivete suiço.
    Em priscas eras gostava de acampar e meu pai me deu um desses, que só foi utilizado uma única vez. Hoje ele se encontra, ainda dentro da caixa original, guardado no fundo de um armário.

  2. Nunca ri tanto com um post 🙂
    Eu não tenho um canivete suiço. Acho que não saberia usar. Mas acho lindo como objeto, uma coisa tipo James Bond, do tempo em que ele era o Sean Connery.

  3. Ora cá está um conselho bem útil. Em Portugal, não há alentejano que não use um canivete. ou então não é alentejano.

    Nota: alentejano, português nascido no Alentejo.

  4. Marília: não deixa no armário, não! Dá pra um sobrinho, um neto, uma tia que faça artesanato, enfim, bote em uso. Eles são utilíssimos! Ou então volte a acampar, o que é muito melhor! 😉

    Bípede: Bons tempos em que o James Bond era o Sean! Mas ele está muito melhor agora, não acha não? ( o Sean, não o Bond)

    Alziro: canivete de prata trabalhada! É quase como bala de prata de matar vampiro…pena que depois de meu irmão ter confiscado, sumiu com ele. 🙁

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *