discussão de gênero

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Tenho o maior orgulho de ser mulher. Melhor dizendo, fico muito feliz em ser mulher. Porque orgulho eu tenho das coisas que eu me esforço para obter, daquelas que me exigem dedicação. Eu nasci mulher e não me lembro de ter feito esforço nenhum nesse sentido.

Bom, mas o ponto é que, embora feliz com meu gênero, tem coisas que dependo de outras pessoas. No caso, do homem que me estiver mais ao alcance. No caso, atualmente, geralmente o maridão, já que o filho homem está muito longe.

A saber: abrir vidro de azeitona. Eu gosto de azeitona e já testei diferentes marcas. Não é a marca, é o vidro. O diabo daquela coisa de fechado a vácuo ou o que seja, que me impossibilita de girar a tampa, por mais academia que eu faça. E eu faço!

Às vezes eu apelo. Faço um furo na tampa e ela abre na hora. Mas deixa de vedar tão bem e azeitona é uma coisa que eu gosto mas meu carrasco particular, o Dr. Fred, mandou moderar.Então ela dura um bocado de tempo e não quero que estrague.

Pregar quadro na parede. É outra coisa constrangedora. Eu meço, olho, me afasto pra medir melhor. Mas sou míope e astigmática. E talvez, com o andar da carruagem e o passar dos anos, meio tortinha. O fato é que nunca fica bom. Daí, se eu consigo acertar o ponto, na hora de pregar aquela preguinho tão inofensivo e pequenininho, ele entorta. Ou seja, se não sou eu que entorto, é o prego que entorta. Aí tem que buscar outro. E fazer novo buraco.

Bom, depois de um tempo, a parede está muito feia e aí eu tenho que botar um quadro bem grande pra esconder o estrago.

Melhor chamar um homem. É triste mas é a realidade.

Consertar carro que quebra. Tirando trocar pneu, que eu aprendi, não entendo nada. Mas uma vez, pelo menos uma vez na minha vida, a coisa funcionou.

Foi no túnel da 9 de julho, horário de almoço, eu indo pro trabalho. Meu chevetinho velho parou. Não morreu, simplesmente parou.

Eu sou envergonhada, já falei. E não suporto ninguém gritando ou buzinando comigo.

Saí do carro, levantei o capô, girei tudo que tinha possibilidade de ser girado que estava a mão, tirei vela, botei vela, olhei gasolina, olhei óleo, olhei desconsolada pro carro, entrei, liguei e…funcionou!

Até hoje não sei o que funcionou.

Mas não precisei de homem nenhum. Ali, naquela hora, me senti total e completamente mulher. Independente e poderosa.

Então vamos combinar. Sou feminista, sou realizada como mulher, sou sensata.

Mas abrir vidro de azeitona, pregar prego e consertar carro não são possibilidades reais pra mim. Melhor chamar um homem. Quanto ao resto, sou pela igualdade.

E estamos conversados.

2 thoughts on “discussão de gênero

  1. Pois é, Maray. Tem coisa que é só para homem. E tem coisa que é só para mulher. Mas, também tem coisa que só funciona com homem e mulher juntos. E viva a vida!
    Feliz Natal! Feliz 2013 (Não! Não vai acabar antes!)! Para você, para o maridão, para toda sua família.

  2. Não gosto de homem, só de mulher. Também gosto muito de azeitona, mas estou abandonando para tentar reduzir o consumo de calorias. Abro o vidro facinho, de madrugada.

    Feliz Natal!

    :)

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