vitrola portátil, nunca ouviu falar?

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Naqueles tempos não havia celular. Nem computador. Nem MP3, 4 ou 5. Só MPB.

Tão longe assim aqueles tempos?

Nem tanto.

E foi por conta mesmo do meu gosto por MPB que ganhei um dos maiores presentes da minha vida: um toca-discos portátil!

Se você entender que portátil é tudo aquilo que a gente consegue carregar daqui pra lá, podendo ser a pilhas ou a energia elétrica mesmo, aquilo era portátil. Pesava um montão, era enorme mas era portátil. Toda de plástico, laranja e creme, quase do tamanho de um microondas de hoje.

Nem lembro quem deu, se foi o pai ou os irmãos ou todo mundo junto. Também não sei se foi num natal ou aniversário, uma vez que os dois vêm quase colados pra mim, mas foi por aí.

Amei a coisa. Só foi dando um certo desamor quando descobri que os discos – vinis, é claro – custavam muito e eu não tinha dinheiro pra comprá-los. Aí, depois que gastei o disco inicial, depois que cansei de ouvir os discos promocionais de um lado só ou de plástico colorido que meu pai vendia na loja em que trabalhava, pus a coisa de lado.

Era mais ou menos – na minha cabeça de criança- como quando minha mãe me mostrava as jóias da família – um colar de pérolas, um relógio de ouro e uns três anéis pequenos e feiosos- e não me deixava usá-los. Eram meus, dizia ela, mas só quando for grande.

Quando enfim fiquei grande, olhei bem praquilo tudo, tão grande em sua pequeneza, e decretei meu gosto por colares e pulseiras de sementes, que persiste até hoje.

Não sei o que aconteceu com aquela incrível vitrola ( como a gente chamava) portátil. Acho que dei pra alguém, junto com os disquinhos cor de rosa e um vinil da Rita Pavone. O primeiro que ganhei.  Ficou tudo lá, nesse passado remoto.

Bom, nem tão remoto. Só cinquenta anos.

8 thoughts on “vitrola portátil, nunca ouviu falar?

  1. Marília

    Gente, também tive uma!
    Realmente os “bolachões”, pra nós, eram proibitivos, de tão caros.
    O som, em vista de hoje, estava mais para taquara rachada. Mas era óóóóóóóóótimo…

  2. Quanto a mim, gostava de gastar a grana que arrecadava, dando aulas, pra ir na Breno Rossi, na 24 de maio, e comprar uns vinis importados, de jazz.
    Como o apê em que morava, na Maria Antonia, vivia cheio de jazzistas de primeira linha (por ex., o pianista Tenório), quando mudei de lá doei pra algum deles meus xodós de vinil. Pra eles valiam mais do que pra mim. Se eu conhecia bem aquela turma, meus discos devem ter furado de tanto rodarem nas vitrolas.

  3. Marília: não sei se o som era mesmo ótimo. Eu não conseguia por direito a agulha no disco. Era manual o processo e eu sempre fui muito desajeitada 😉

    Alziro: lembra da Rita com aquela roupa de garoto e suspensórios e cabelo bem curtinho? durante anos, melhor dizendo, décadas, cortei o cabelo daquele jeito!

    Renato: Havia duas lojas de nomes bem parecidos: a Breno Rossi e a Bruno Blois. Eu gostava delas porque havia umas cabines em que a gente podia ouvir os discos, mesmo sem comprar. Eu odeio jazz mas curtia muito MPB e alguns outros. Lembra da Julie London??

  4. Non provocar la lite se con gli altri ballo il twist,
    Non provocar scenate se con gli altri ballo il rock:
    Con te, con te, con te che sei la mia passione
    Io ballo il ballo del mattone.

    Lentamente, guancia a guancia,
    Io ti dico che ti amo
    Tu mi dici che son bella
    Dondolando, dondolando sulla stessa mattonella!

  5. Allan: a minha devia ser mais resistente. Chegou a ir pra praia algumas vezes. Não na areia, porém…

    Maurício: ora, datemi un martelo!! 😉

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