comida de esquina

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As esquinas de antigamente demoravam a chegar. Ou elas eram grandes demais ou minhas pernas pequenas. Eu saía com meus pais e ficava inquieta, sempre esperando a esquina.

O fato é que era sempre numa esquina que tinha algodão doce. Não tinha essa do tiozinho que vende algodão doce passar com um monte deles já prontos e embalados em plástico, presos num pedaço de isopor.

Aquela era a época do “mato a cobra e mostro o pau”. O tiozinho parava numa esquina com sua máquina de fazer algodão e ia adicionando açúcar no meio daquilo até que a mágica se fazia: começavam a aparecer aqueles cúmulos nimbus de algodão. Branco, como todo algodão que se preze.

Havia também o pipoqueiro. Parado numa esquina, lógico. Geralmente perto de escola ou de fila de ponto de ônibus, que fila de ponto de ônibus é coisa mais velha do que eu.

Era pipoca doce ou salgada. Com açúcar ou sal, mas não groselha ou provolone ou o que mais a criatividade de hoje possa acrescentar. Em pacotinhos pequenos, como pequenos eram os tamanhos das pessoas.

Depois, nos idos da minha adolescência, conheci o coquinho da esquina. Uns pedaços de côco caramelados, vendidos em carrinhos onde voejavam inúmeras e inofensivas abelhas. Que perdição!  Até hoje existe o tal coquinho e até hoje eu paro e compro. Não quero saber da higiene, das abelhas, da poluição das esquinas, nada me detém. Vício é assim.

Hoje existe o dogão da esquina, que nem cabe na minha boca. Provavelmente se eu tentasse comer aquilo, além do súbito aumento do colesterol, dos triglicérides e da minha massa corporal, mantida a duras e vegetarianas penas, eu teria um deslocamento de mandíbula. Aquilo é grande pra caramba. E dá-lhe molho, purê de batatas, batata palha, e sei lá que mais!

Até o café com leite das esquinas perto de fábricas e construções, quase madrugada, já provei. E aprovei. Do bolo pesado e grande até o café de garrafa. Tudo, quando está frio e você saiu de casa sem comer nada, tá valendo. E cai bem.

Agora tem uma coisa que não compro mais: amendoim pralinê, aquele coberto de açúcar cor-de rosa. Não gosto? Que nada! Adoro! Mas foi o primeiro doce que aprendi a fazer com minha saudosa tia Elisa. Uma xícara de água, outra de amendoim, outra de açúcar. E mexe. E mexe. E mexe. Não tem erro!

Infelizmente ando evitando amendoim. Doce ou salgado. Evitando gordura. Evitando sal. Evitando pagode e funk carioca. E comida de esquina, bom, com exceção do coquinho, melhor deixar pra lá.

Porque tem aquele homem que manda na minha vida que me impede de cair de boca.

Maridão? Que nada! O médico, snif…

6 thoughts on “comida de esquina

  1. Sergio Hamilton

    Que tal um torresminho na feijoada de sábado ? Não estava na esquina mas era bom pra caramba também !!! O colesterol que se dane Maray !!!

  2. Alberto: pra gente, eu e vc, de poucos ou nenhum deus, médico tá valendo. Afinal, ele tem melhorado muito minha vida nestes últimos tempos. Apesar de tudo.
    E eu pulo a cerca de vez em quando, sim. Toda vez que viajo. E olhe que tenho viajado um bocado! 🙂

    Serginho: Vou te dizer uma coisa que vai te horrorizar, que eu sei: detesto feijoada! E cerveja! Posto isso, espero que continuemos amigos…

    Marília: quebra-queixo sempre doeu meu queixo. É parecido com o dogão da esquina. Movimenta demais a mandíbula. Mas o gosto é bom, se ele não “quebrasse” tanto o queixo assim 😉

  3. Domingos Barroso

    é uma dança, imagens coloridas, todas, todas
    e uma leveza e uma vontade de ler mais
    e encher o coração de doces

    que texto maravilhoso.

    boa noite.

  4. …Esquinas, ainda bem que você não morava em Brasília. 🙂

    Adoro comida de rua, até o dogão da esquina. E tenho evitado médicos.

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