faxina total: a saga

Standard

Outro dia filhão disse que está ficando com minha mania de limpeza.

Mas a mania não é minha. Nem é mania. É saga de família.

Minha mãe limpava tudo que encontrava. Ela polia todos os trincos, fechaduras e até dobradiças douradas ou prateadas das portas e janelas. Com um negócio chamado Brasso, usado por quem ( desculpem aí o trocadilho inevitável) tinha mesmo muito braço. Dar brilho com aquilo cansava que só…

O banheiro ( sim, nasci e sobrevivi  numa casa de um só banheiro) era limpo com Creolina ou lisofórmio. Nosso banheiro tinha cheiro de hospital. As louças brancas com sapóleo. Ficavam todas opacas, mas brancas de doer.

As panelas de alumínio, nos anos em que minha avó cozinhava e lavava louça, eram polidas, muitas vezes, com areia. Sabe aquelas frigideiras que ficam muito pretas? Pois é: areia. E postas pra secar na grama do quintal. As panelas com o tempo até furavam, mas podia-se dispensar espelhos em casa: bastava olhar pra uma daquelas panelas!

Depois, quando minha mãe decretou que minha avó na cozinha era um estrago pra nossa saúde e também pra dela, minha mãe passou a cozinhar e limpar a cozinha. Daí ela apelou pra uma “modernidade” : palha de aço. Nós morávamos ao lado da fábrica da Bom-Bril. Nem precisava comprar. Naquela época, de quase nenhuma consciência ecológica, o pessoal descartava esponjas de aço no terreno baldio defronte a nossa casa. Era só ir lá e fazer a catança. Era uma espécie de out-let de esponjas: com pequenos defeitos, mas perfeitamente usáveis.

E o chão da casa? Um dia minha mãe foi visitar uma senhora da relação dela. Uma japonesa, acho. Que tinha dois panos de feltro sobre os quais andava pela casa, “lustrando” o chão enquanto andava.

Pra que?! A partir daí, minha mãe fez pra si os tais panos e passou quase o resto da vida andando sobre eles. Só foi largar o hábito quando se mudou pra uma casa com carpete.

Assim cresci e fui criada. Não tenho essa mania tão acirrada, nem tenho tempo pra tanta limpeza. Mas sou bastante organizada e gosto de limpar as coisas. Quanto mais sujas estiverem, gosto mais.

Mas não suporto tirar pó. Acho que isso já é um avanço na saga familiar.

Meu filho, o da “mania de limpeza”, lava até casaco de couro na máquina e minha filha é capaz de passar horas tirando folhas secas de plantas . Nenhum de nós chega a ser fanático como foram nossos ancestrais, mas percebe-se ainda a “doença” familiar.

E não nego, porque não posso: entupo meu closet de naftalina. Não porque tenha traças, mas porque adoro aquele cheiro dos baús da minha avó.

E só não uso lisofórmio mais porque minha mão ameaça descascar até o osso, mas se eu pudesse…

2 thoughts on “faxina total: a saga

  1. Rosely

    Oi Maray, tudo bom?

    Não posso dizer que na casa da minha família a questão da higienização fosse tão “braba”, mas panela de alumínio bem ariada, essa até hoje eu mantenho. Uso as de tefal, que ninguém é de ferro, mas adoro panelas de alumínio brilhando e, sempre que o tempo permite, secando no quintal!!
    Ah, em tempo. Como vamos trocar os carpetes por piso de madeira acho que vou adotar as tais flanelas.
    Bjs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *