complexo demais

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Não sou muito chegada em ordens contraditórias. Em ensinamentos discordantes. Em antagonismos. Não que eu seja da paz. Não sou. Mas devo ser meio tosca. Gosto das coisas assim: pão, pão, queijo, queijo. Demorei um tempão aprendendo com minha mãe que não se deve abrir presente na frente das pessoas, que se o presente for chinfrim, o presenteador ficará ressabiado e o presenteado também, acho. Depois me ensinaram que isso é um absurdo. Que presentes são pra serem abertos na hora e festejados, quer você goste ou não. Vale a intenção, aquela coisa toda, enfim.

Que fazer?

 Aprendi que não se deve comer muito em casa alheia. Que repetir pode parecer esganamento. Também aprendi que não se deve recusar comida em casa alheia. Que poderá parecer desfeita com o anfitrião. Que fazer?

 Aprendi que pra quem está fazendo regime, deve-se sempre dizer que emagreceu. E pra quem não está que é das gordinhas que eles gostam mais.

Aprendi que ser bom ouvinte é fundamental. Aprendi também que quem não chora não mama. Sou boa ouvinte mas muito já chorei por querer mamar e não chorar. Difícil o meio termo. E a vida corre assim: cheia de antagonismos. E de coisas que a gente faz pra, no fundo, no fundo, ser amada.

Antigamente, quando se falava pra alguém: nossa, como você está magro, a pessoa logo se desculpava dizendo que estivera doente mas que já se recuperava, que logo estaria melhor. Hoje falei isso pra alguém que me agradeceu, embevecida. Loucura.

Ainda outro dia ouvi de uma amiga que sou reservada demais. Não era elogio. Era crítica. Loucura também.

Gostaria que as pessoas chegassem num acordo e me contassem depois. Que me poupassem dos argumentos intermediários. Que quando o prato chegasse já viesse assim, cortado e servido: pão, pão, queijo, queijo!

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