croniquinha hortifruti

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Eu amo caqui. É paixão antiga.

Mas o caqui já não é o mesmo do começo da minha paixão.

Caqui, aquela fruta pequena e laranja forte, era macio e tinha sementes. E a coisa que eu mais gostava de fazer era separar, dentro da boca, a pele que envolvia as sementes. Era a melhor parte do caqui, na minha opinião.

Continuo gostando de caqui. Muito.

Mas cadê as sementes?

O figo, em compensação, que eu comia todinho segurando pelo cabo, já não posso mais comer dessa forma. Tem que ser de colherinha, tomando cuidado pra não comer a casca, branca de venenos agrícolas. A melhor e mais doce parte do figo: a casca.

A goiaba eu como inteira. Eu também comia, quando era garota e tinha no quintal uma grande goiabeira. Eu comia inteira, tentando não olhar pros vermes brancos dentro dela. Eu acreditava no meu pai que dizia que bicho de goiaba é também goiaba. Uma teoria interessante, prima daquele clichê que diz que você é o que você come. Eu comia e adorava.

Hoje não preciso me preocupar com os bichos de goiaba. Ela não tem mais bichos. Nem gosto.

Banana gêmea nunca mais vi. Nós, as crianças, quando encontrávamos uma assim, dizíamos que quem comesse teria gêmeos. Eu já nasci pragmática, então sempre achei que ter gêmeos na vida era tudo de bom. Dois coelhos numa só cajadada, se é que me entendem…Eu comia todas que encontrava. Nunca tive gêmeos e quando meu irmão teve, e eu vi o casal se esfalfando com dois bebês chorando ao mesmo tempo de fome, tendo que dar banho e amamentar, pra não falar do custo dobrado dos estudos, vi o quanto estava errada. Por sorte, acho que não comi a quantidade necessária de bananas gêmeas. Ou pelo menos, meu irmão comeu mais do que eu. Ele teve dois pares de gêmeos.

Laranja Bahia, ou baía, sei lá de onde vem esse “Bahia” ou baia. Eu curtia comer só o que eu chamava de “laranjinha”, ou umbigo da laranja. Era meio amarga, mas era bonitinha. Hoje não curto mais. Nem a laranjinha, nem a laranja.

E morangos, então? Que estão chegando ao tamanho de maçãs?? Enormes, vermelhos e sem gosto nenhum. Como as maçãs, por sinal.

As coisas ficaram muito grandes.

Minha saudade também.

4 thoughts on “croniquinha hortifruti

  1. Seu pai tinha razao, bicho de goiaba, goiaba é.
    Adoro caqui e a minha vizinha me da caixas e mais caixas de caqui que nascem na casa de campo dela. Ninguém cuida dos caquis, ninguém colhe (so ela), ninguém come (so eu).

    :)

  2. Marília

    Fui longe…
    É verdade mesmo. As frutas de hoje são enormes, sem caroço e sem…gosto.
    Até a mexerica (aquela perfumada), perdeu um pouco o cheiro, aquele cheiro que denunciava à distância.

  3. Sobre os morangos: agora eles dão o ano inteiro, estão mais baratos, mas também estão sem gosto, principalmente no Nordeste, onde agora são abundantes~.

    Como as ameixas, agora sem gosto e mais azedas.

    Mas os caquis foram destruídos, totalmente. Vejo sempre no supermercdo e evito chegar perto daquelas coisas colhidas ainda verdes e que nunca vão ter gosto. Os de que eu lembro eram vermelhos, mais que laranjas — e a carne em volta das sementes era apenas diferente para mim.

    Eu não compro mais caquis.

    Ah, e não se cata mais feijão, também. Essa é a parte boa. :)

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