matando na raiz

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Dia de levar brinquedo pra escola.

Toda professora de pequenininhos estabelece um dia assim. Dia de levar o bicho de estimação, dia de levar o brinquedo preferido, dia de levar uma coisa estranha.

Eu nunca tive tais dias. Antigamente não se podia levar nada pra escola que não fosse lancheira , livros e cadernos pedidos. Normalmente quando alguém levava outra coisa, a professora confiscava e só dava de volta na saída.

Mas esse garotinho é dos dias de hoje. Tem 6 anos e lê fluentemente. E lê há já bastante tempo. Tudo que encontra. Nos jornais, nas paredes, nos cartazes, na TV.

Ele é de hoje, mas nem parece. Ainda não se viciou no computador nem nos jogos eletrônicos.

Ele gosta é de livros.

Daí que chegou o dia em que a professora pediu pra levar o brinquedo preferido pra escola.

Ele pegou seu livro e ia saindo todo pimpão.

Aonde você vai com esse livro, pergunta-lhe a mãe.

Pro dia do brinquedo preferido! Responde ele com um largo sorriso.

Livro não é brinquedo! Retruca a mãe carente de imaginação.

Pra mim é! Responde o filho, sempre sorridente.

Não é. Vai lá dentro e pega um brinquedo de verdade! Finaliza a obtusa.

Acaba o sorriso do guri.

E talvez tenha acabado também um legítimo, honesto, sincero e real gosto pela leitura. Com tudo que esse gosto deve ter: alegria de um brinquedo, envolvimento de um jogo, atração de uma TV.

Espero que não.

Espero ardentemente.

Tem mãe que é um porre!!

 

OS: quem me contou esse episódio foi a tia. Afirmando que o sobrinho era “muito esquisito”.

E eu agüento uma coisa dessas?

3 thoughts on “matando na raiz

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