é da vida

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Já fomos seis. Não ao mesmo tempo. Éramos um pai, uma mãe e quatro filhos. Dois meninos, os mais velhos e depois duas meninas. Com intervalos estranhos entre eles. Os meninos, apenas dois anos. Depois de outros sete, uma menina. Morreu com um ano. Depois de mais sete, outra menina.

Essa outra menina sou eu. Meio que de saco cheio de sempre ter sido considerada uma “consolação” praquela irmã que eu tive, sem ter nunca conhecido. Mas fazer o que? É da vida. E as mães sempre precisam de consolo. Os pais também.

Depois foram vindo as baixas. A primeira do pai, era de se esperar, o mais velho. Muitos anos depois, e esta não era de se esperar, o irmão do meio, novo. Foi-se embora antes da mãe. Por vezes a natureza é muito cruel.

E agora o irmão mais velho.

E cá fiquei eu. Tal qual um mamute em extinção. E triste.

Tá bom, é da vida.

Mas tem vezes em que a vida dói.

3 thoughts on “é da vida

  1. Oi, Maray.
    Embora, no meu caso, apenas minha mãe tenha ido, também acho muito dolorosas essas perdas. Minha Nina perdeu o único irmão, o pai e a mãe. Nessa ordem. É da vida? É! Mas, você tem razão. Às vezes, a vida dói muito.
    Abração.

  2. A vida dói e nem sempre é justa, mas só nos resta chorar e reclamar enquanto continuamos a viver.
    Dor nenhuma passa quando perdemos alguém amado, mas espero que ela se acomode dentro de você num lugar que não fique machucando.

    Beijo

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