amor, ódio e dígrafos

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De vez em quando eu embirro, esbarro e emburro ( gosto dos RR) com as chamadas “leis” do mundo. Uma é a da oferta e da procura.

Dizem que tudo que é demais enjoa e perde valor. Muita oferta barateia.

Não concordo. Não concordo com essa coisa de valor, que no nosso mundo mede-se mais pelo dinheiro do que pela moral,  mas concordo- um pouco- com isso de que a saturação leva ao descrédito e à indiferença.

Vejam os jovens, pelo menos aqueles que usam a internet, em seus textos e comentários. Eles amam tudo ou odeiam tudo. Até aí, tudo bem, é próprio dos jovens não buscarem nem gostarem do meio termo. Nem da razão. Mas eles amam muuuitooo e odeiam muuuiiito!! Tenho a impressão que se alguém realmente amasse e odiasse tanto assim, teria um peripaque qualquer por overdose.  Amar não é fácil nem comum, odiar também não. E ambos sentimentos são intensos demais, dolorosos demais, mesmo quando nos trazem alegria e felicidade. Viver intensamente demais também estressa.

Mas lendo comentários pelas redes sociais, verifico que nem só jovens amam e odeiam tanto assim.

No fundo, apesar de amar as palavras ( tá bom, gostar realmente muito) eu acho que pra comunicação, ainda prefiro as palavras mais o olho no olho, acrescido da visão, do cheiro, do som e do contexto.  Aí, se eu não conseguir me comunicar, é porque tenho algum problema com a pessoa ou comigo.

Mas digo isso porque acho que, no afã da comunicação, muita gente usa e abusa da acentuação, dos avatares da internet, das caras e bocas gráficos, e dos verbos amar e odiar. Tudo pra se fazer mais “real”, mais perto, mais vivo, nesse mundo virtual, tão quente e tão gelado ao mesmo tempo.

Ou não. Ou simplesmente, as pessoas hoje amam muito mais, odeiam muito mais, e eu é que fico assim, cheia de dedos. Levei uma pá de tempo pra me declarar ao meu amor, por medo de não estar dizendo a verdade, de ser precipitada. Digo com muita freqüência que amo só mesmo pras minhas cachorras, mas sei que elas não entendem as palavras, só o sentido e os cafunés que lhes faço. Aí, abuso do “ amar”. De resto, amor continua sendo, pra mim, algo sério e raro.

Devo ser eu. Velha e ranheta, de novo.

Mas como se pode amar e odiar tanto assim, todos os dias e todos os minutos?

Não sei. Nem imagino. E odeeeiiiiioooo não saber nem imaginar isso…….

One thought on “amor, ódio e dígrafos

  1. Hoje amar… é muito fácil!
    Como desamar também o é…!
    Tudo é fácil e por isso é que o valor intrínseco das coisas e dos sentimentos se perdeu por completo.

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