banco de escola

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Não é imagem nem linguagem figurada. Estou falando de banco de escola, mesmo.  Aquela coisa que já foi de madeira, de ferro e fórmica e hoje muitas vezes de plástico. Aquilo onde a gente sentava ignorante e levantava menos.

Meu primeiro foi de dois lugares. De madeira envernizada, a mesma mesa e o mesmo banco para duas pessoas.  Não consigo lembrar de nenhuma companheira de banco, a não ser uma que se chamava Bela. Eu não gostava dela. O que mostra, pelo menos pra mim, que o amor vai mas o ódio fica… Eu tinha uns sete anos.

Mais tarde um pouco, o banco passou a ser individual. Ainda todo de madeira, com lugar debaixo da mesa pra guardar o material e no tampo, pasmem, um buraco pra enfiar o tinteiro. Sim, eu sou da época de caneta tinteiro no primário. E ai de quem fizesse um borrão na lição! Pra isso – o borrão – havia o mata-borrão e o canto da sala. O mata-borrão pra secar a mancha e o canto da sala pro castigo. Minha mãe dizia que eu era feliz, pois no tempo dela tinha que ajoelhar no milho. Céus!

Depois, no ginásio, com uns 12 anos, o banco passou a ser separado da mesa. A mesa tinha tampo de fórmica, com lugar embaixo pro material e pra bilhetinhos. Passei quase um ano da vida deixando bilhetinhos pro garoto que sentava na mesma carteira que eu no noturno. Quer dizer, eu ocupava o lugar durante o dia e ele ocupava à noite. O bilhete ficava escondido debaixo da mesa. Nunca o conheci.

Na faculdade, uma carteira que fazia as vezes de mesa e cadeira e lugar pro material, desta vez embaixo da cadeira. As tais “cadeiras universitárias”. Que acabaram de estragar minha já estragada coluna. Eu sempre escrevi “torta” pra direita e a carteira só tinha mesa ao lado direito. Era muito direito de uma vez só. Eu parecia uma parafuso escrevendo, toda enrodilhada. Hoje quem parece um parafuso é minha coluna.

E finalmente hoje já não estou nesse tipo de  escola. Minha única escola hoje ensina a dançar tango e isso eu faço em pé, embora muita gente defina o tango como algo que se faz em pé mas devia ser deitado…

Mas aqui, na frente do monitor, minha cadeira é confortável e estofada, luxo que nunca tive em minhas carteiras escolares.

E minha mesa é de concreto. Fria e gostosa.

E milho só o de pipoca.

Arre!

 

 

 

2 thoughts on “banco de escola

  1. Também tive uma carteira dupla com buraquinho central para o tinteiro!
    As diferenças deviam ser mínimas entre os dois lados do Atlântico.
    Beijos.

  2. Cheguei depois do tinteiro e do mata borrão. Milho e “mãe preta”, uma tira larga de borracha preta para dar palmadas nas mãos. O cheiro da escola me faz falta. Ou seria a juventude?
    :)

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