em defesa das rejeitadas

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Ninguém diz que gosta delas. Ao contrário, há uma enxurrada de textos das mais diversas origens esculhambando as coitadas.

Sim, porque quando alguém ( dizem ter sido o Dumont, mas há tantas controvérsias que nem vale a pena discutir a autoria) inventou o relógio de pulso, ninguém reclamou. Ninguém disse que era deselegante, cafona, brega, ou de profundo mau gosto.

Em breve todos passaram a usar. Bom, os mais conservadores continuaram a usar os cebolões, que exigiam tempo pra consultar a hora: tinha que caçar no bolso o redondão e depois trazer pra perto dos olhos, dos seus e dos circundantes, que houve época em que era de muito bom tom usar cebolão. De ouro, então, nem se fala! Eram até mencionados em testamentos.

Eu nunca herdei nenhum. Pena. Rendiam uma grana legal.

Voltando: da mesma forma, quando se inventaram as mochilas, estas coisas que acabam com nossa coluna e nos ônibus ocupam o lugar de uma pessoa, diminuindo até fechar o já estreito corredor, bom, quando inventaram a mochila ( sei lá quem inventou, mas devia ter ganho um prêmio), ninguém achou de mau gosto. Tanto que umas décadas atrás passaram a existir  em  couro e o escambau, para mulheres elegantes. Sim, a moda já decretou, em certa época, que mochila era elegante.

Eu sou dessas. Não, não sou elegante. Sou dessas que desde o advento – sim, porque pra mim foi um advento – da mochila, passei a usar diuturnamente. Uso um saco minimalista, mas não deixa de ser uma mochila!

Voltando de novo: então por que só se fala mal delas? São pequenas, não ocupam lugar nos ônibus. Deixam, tal como o relógio de pulso e as mochilas, as mãos livres. E nada como ter as mãos livres, como concordarão comigo os ladrões, os italianos e as dondocas. Uns afanam o alheio, outros falam com as mãos e as dondocas tiram o cabelo da cara. São utilíssimas.

São coloridas, são unissex, são leves, não detonam a coluna, são rápidas no uso uma vez que ficam na frente e não atrás, como as mochilas. Podem ser de qualquer material, do pano ao couro.

Eu adoro. E tenho algumas, que uso para pedalar, para caminhar, para fazer compras. Só não uso em milongas porque atrapalhariam o abraço do tango…

Pochetes! Que mal há?

3 thoughts on “em defesa das rejeitadas

  1. Olha eu gosto da tua escrita, já te sigo há muito, desde quando eu escrevia regularmente lá no meu PreDatado. Gosto da maneira como nos encaminhas para a punch, sempre uma delícia. E é claro gosto da pochete que uso normalmente no verão pois me dispo de casacos e blusões e sem bolsos onde iria guardar a carteira, o celular e os trocos para a cervejinha? Mas também uso mochila. Onde é que eu iria transportar toda a panóplia de máquinas fotográficas lentes, filtros, e outros acessórios? Minha querida coluna. Só imaginar :)

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