cores e tecnologia

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A tecnologia também se manifesta por cores, por que não? Bom, pelo menos na minha vida.

Televisão. Tivemos a primeira em 1956, mais ou menos. Branca e preta. Lembro que a filha da diretora do primário, uma menina muito da metida e chata, provavelmente devido ao seu status de primeira filha (ô país este em que parentesco é merecimento…) saía falando pra todo mundo que a TV da casa dela era colorida. A gente morria de inveja, queria ir lá ver mas ela jamais convidava. Hoje sei o porquê.

Algum tempo depois, surgiram no mercado umas placas de celulóide, acho, coloridas em degradê ou faixas, que as pessoas punham na frente da tela da TV e diziam que ela ficava colorida. Tá legal, como tudo é uma questão de ponto de vista, ela ficava mesmo. A gente podia assistir o Direito de Nascer com o Albertinho Limonta variando do azul ao laranja. Sinistro.

Depois lembro quando comecei a usar lentes de contato. Devia ser 1967. Era quase um olho de vidro, tal a grossura dela. Mas eu queria muito não ter que usar óculos, então acostumei com aquilo. Daí, alguns anos depois, surgiram as lentes coloridas. Como eu sempre fui, lá no fundo do meu eu, uma ruiva sardenta  de olhos verdes, embora a imagem externa fosse bem outra, eu achei que tava lá a oportunidade pra corrigir a natureza. Experimentei. Ficou parecendo que eu tinha uma alface dentro de cada olho. Naquela época o verde era tão falso como falso é o meu cabelo vermelho de hoje. Desisti.

Mais um monte de anos e vieram os computadores. Oba! Tela verde. Depois de um tempo, os de tela amarela. Uns e outros maltratavam os olhos e a estética. Eram muito feios.

Mas a gente achava o máximo. Eu e meus filhos nos fartávamos de jogar Prince of Persia naquela tela verde fosforescente. E hoje, nesse telão colorido que está na minha frente, não quero nem saber do Prince de Pérsia nenhuma. Não existe mais a Pérsia, não existe mais o príncipe e eu tenho uma puta saudade daquelas coisas coloridas antigas e tão ingênuas.

Agora reeditam o Fiat cinquecento,  tão redondinho e bonitinho. Oba! Eis a oportunidade de ter um daqueles dos sonhos, vermelhinho qual um tomate cereja, a cereja do meu bolo.

Em vão. Com a procura e a falta de oferta, compramos finalmente o nosso.

Preto.

É. A tecnologia tem cores. Mas nunca estão lá quando eu preciso delas.

 

4 thoughts on “cores e tecnologia

  1. Quando saí daí do Brasil, o pessoal estava “encapando” os carros com uma película, em geral para deixá-los foscos, com cara de “caveirão”. Mas nada impede que você cubra o seu com película vermelha. Só vai ser preciso pedir a um despachante (essa profissão exclusiva do Brasil) que mude a documentação do carro…
    Beijinhos

  2. Também lembro que as cores eram poucas, ao menos nas caixas de lápis de cor. Hoje, quando ouço minhas filhas falando sobre cores, fico imaginando o que pode ser “fúcsia”, “lilás” (que descobri que é diferente de roxo) e outras mais. Numa propaganda divertida, o jogador de futebol pede um sorvete “gusto puffo” (gosto smurf) e recebe um de cor azul. Nem ouso pensar quantos lápis de cor compõem hoje uma caixa. Ah, essas cores tecnológicas…
    🙂

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