chegando

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Lugares para os quais se viaja são limitados. Mas ilimitadas são as impressões que esses lugares causam nas pessoas.

Não gosto de museus. Gosto muito de ver coisas vivas, ambientadas, com luz, sol e chuva, gente passando, folha caindo, alguma sujeira, por que não?

Ter ido pra Itália foi a realização de um sonho antigo. Sendo netas de italianos, com minha avó materna morando conosco desde que nasci, dormindo no meu quarto, me ensinando a rezar em italiano, me cantando cançonetas napolitanas, jogando bisca e escopa comigo, escondidas da minha mãe, na garagem de casa, eu sonhava há muito tempo com esta viagem.

Milão é bonita. Mas não cativante. Duomos em geral não me cativam, por maiores que sejam. Tampouco galerias nem grifes. A única igreja que me tirou o fôlego até hoje foi a de Compostela, mas ainda não conheço Notre Dame.

Então gostei mais de Roma. Roma na qual achei um super brechó, Roma de becos e de praças imensas, Roma que foi até hoje minha melhor versão de museu: a historia ali, e você andando por ela, sentindo os sons, os cheiros, as pessoas, os gostos.  Lembrando do Joãozinho Trinta muitas vezes, se perdendo na multidão de arabescos, de rococós, de arcos romanos e góticos, naquele melê sensacional. Roma foi legal.

Firenze foi chic e limpa. Monocromática. Elegante. Tudo que me diziam que quem era, era Milão, foi Firenze pra mim. Questão de gosto.

Venezia de perder o fôlego. Literalmente. Comecei a ficar doente lá. Mal tinha fôlego pra subir e descer nas pontes e becos. A custa de muito “paracetamolo” fui me agüentando e admirando Venezia. E dançar num palácio veneziano foi inesquecível, apesar da febre.

Bologna, a cidade avermelhada. Nada a ver com posição política mas com a cor das suas casas. Variações em terracota. Conheci melhor o hospital geral de Bologna do que a cidade propriamente, mas no dia em que pude, andando a pé ou de bicicleta, adorei a cidade vermelhinha.

A Toscana, um mimo. Uma Mantiqueira medieval. Uma maravilhosa descoberta. Siena, Gimignano, Assisi, Perugia, umas mais, outras menos, todas cidades encantadoras.

Verona, no Veneto, meu xodó. Recomendarei sempre. Uma Roma sem sujeira, com ruínas inteiras, becos na medida, bastante verde, gente simpática, e, é claro, o charme, verdadeiro ou não, dos amantes de Verona, Romeu e Julieta.

Nápolis um arrependimento. Suja, extremamente suja. Mas necessária pra chegar na Sicília. Perto de Nápolis, Sorrento, bonita, limpa, embora muito comercial pro meu gosto.

A Sicília uma surpresa maravilhosa. Palermo linda, trânsito decente, ruas larguíssimas e grandes jardins.  E montanhas e montanhas. E mar verde-esmeralda.

Erice uma cidade medieval lindíssima. E Agrigento e suas ruínas gregas. E Pirandello, é claro.

Pena não termos podido conhecer mais da Sicília. Mas foi bom. Ficará sempre um motivo para retorno.

Uma viagem de sonho que se confirmou enquanto tal.

Agora é sonhar com a próxima.

4 thoughts on “chegando

  1. Bípede falante

    Já viajei pela Itália. Adoro a natureza, a história e as pessoas. Reconheço-me no império romano e na decadência rsrs :)
    beijosss

  2. mfc: nada como viajar, né? Depois que voltei, fazem só uns dias, ando assim, meio entediada… louquinha pra viajar de novo 😉

    Bípede: o que impressiona é ver como as coisas convivem, por lá. Aqui em Sampa, prédio ficou com uns quarenta anos já é velharia e querem botar abaixo pra construir outro, “mais moderno” …

    Alziro: Nem me passou pela cabeça ir pra Bérgamo, veja só! Não sabia que era legal. Mas se quiser mais fotos, dá uma espiada no flickr, procurando pelo meu nome ou checaribe. Botei mais fotos lá. Bjs

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