anuário

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No ônibus, a garota magrinha se agita, junto da mãe. Fala mais que a boca. Me lembra alguém, perdida no tempo, que também falava assim. Que tirava dez nas notas e cinco de comportamento, numa época em que se media comportamento.

Hoje não tiro mais dez em coisa nenhuma. Tampouco alguém mede meu comportamento. Se medisse…

Bom, voltando à garotinha que me fez voltar no tempo, lá pelas tantas ela se vira e pergunta: “mãe, o que você vai fazer no natal?

Ora, diz a mãe, ainda nem acabou o carnaval e você já quer saber do natal?

É porque eu só gosto de natal e carnaval. E o carnaval já foi…”

Ta certo. O carnaval já foi.

Pra mim também. E eu, como ela, gosto de algumas poucas coisas.

Por exemplo, agora espero março.

Por que março? Porque vou ver meu filho em março.

Filho longe, coração saudoso. Mas março vem aí.

Depois páscoa. Sabe como é, não acredito mais em coelhinho, mas sou chegada em ovo. É claro que uso a desculpa de dar ovos para filhos. Desculpa que está ficando difícil, os filhos já trintões. Problema.

Depois Argentina novamente. O tango, sempre o tango. E os chinchulins. Nessa ordem. Ou não.

Depois novas caminhadas, lá por julho.

Depois natal. Passando pela primavera. Ainda bem que a primavera vem antes do Natal. Prepara a festa.

Depois a temporada de aniversários familiares e voilá! Começa tudo de novo: carnaval, páscoa, viagem, caminhadas e tango. Sempre o tango.

A vida é esperar pela festa.

Tem coisa melhor?

E aí, o que vamos fazer no natal?

2 thoughts on “anuário

  1. Renato: eu também gostaria, mas não consigo reunir todo mundo num lugar só. Então a gente fica assim, viajando por aí. O que não é mau, também. 😉

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