vai um jardineiro aí

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Eu corto grama. Há anos eu corto grama.

Sempre morei em lugar com grama.

No começo eu não cortava. Por causa do alfanje. A ferramenta que se usava pra cortar grama antigamente. Era perigosa pra criança usar e tinha que ter a manha pra cortar direito com ela. Eu era criança e não tinha manha nenhuma. Ficava olhando o jardineiro cortar, lá em casa.

E aquilo me deixava feliz. Ver a grama bem aparadinha, toda reta, os canteiros de verdura e flor e em volta das árvores todos bem delimitados.

Cresci. Mudei pra casa com quintal grande, recém-casada. Mas não tinha exatamente grama. Era uma espécie de mato baixo. Cultivei aquilo e aquilo, seja lá o que fosse, correspondeu aos cuidados. Cresceu. Mas como era mato rasteiro, nunca precisei cortar. Quando, 3 anos depois, desalugamos aquela casa, o matinho quase cobria o quintal todo, verdinho, uma beleza. E curto.

Na casa em que moro hoje temos grama. No quintal e no jardim.

E sou eu quem corto.

Na casa que foi de minha mãe, onde hoje mora meu irmão, eu também corto a grama. Do jardim e do quintal. Eles são bem mais velhos do que eu, meu irmão e minha cunhada e não agüentariam cortar.

Mentira! Eu é que gosto de cortar mesmo. Mas acho que eles não agüentariam, com mais de setenta anos.

Eu suo a camisa mas gosto.

Hoje tenho uma máquina. Não é muito potente mas funciona bem. Dá uma dor danada nas costas mas fico feliz.

Nesta época do ano, tenho que cortar quase que de quinze em quinze dias. Uma trabalheira.

Ê felicidade!

Me sinto poderosa. Eu corto e ela cresce.

Poucas coisas atualmente correspondem aos meus cuidados como a grama aqui de casa.

Enfim uma coisa confiável.

5 thoughts on “vai um jardineiro aí

  1. Allan: eu devo ter sido ruminante em outra encarnação. Sempre me preocupo com grama. No verão, porque queima e cresce desmesuradamente neste país tropical. No inverno porque fica feia. Grama é um problemão. 😉

    Alziro: Grama metafórica não dá. Compra um hominho daqueles que a gente rega e nasce cabelo. É brega mas dá um suspense danado e desvia pensamento de bobagem. Aquilo por si só é a maior bobagem…

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