pedaços articulados de mim

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Meus joelhos.

Não são bonitos. Pior que eles só cotovelos, mas esses a gente nunca vê.

São grandes. Bom, os meus são grandes. Já nasceram assim. Combinados com coxas finas, parecem maiores.

Vivem esfolados.  Na fase engatinhante, tinham motivos. Depois houve a fase “andante em muros”, o que também estragou um pouco mais.

Na fase seguinte, a alegro moderato dos adolescentes, uma ou outra queda na pressa de chegar logo aos lugares. Fui uma adolescente apressada, mas quem não foi que atire a primeira pedra.

Daí, quando se chega na idade do juízo, as batidas em móveis e objetos passaram a torná-los uma coisa assim, como direi, grande e permanentemente arroxeada. Nunca fui boa de fazer curvas a pé, quer seja rodeando mesas, camas, escrivaninhas. Ainda bem que com carro eu faço curvas bem e, afinal, carro não tem joelhos…

E agora, na fase da paz de espírito e sabedoria, quando meus joelhinhos deviam ter um merecido descanso, eu aprendi a andar de bicicleta. Umas tantas quedas, e voilá! Eis que os joelhos voltaram a sua antiga cor roxa.

As casquinhas eu cubro com base de rosto, os cortes com bandaid cor de pele, passo em cima de tudo um pouco de pó e pronto! Nada que uma meia arrastão não cubra, na hora do tango.

E quer saber? Adoro meus joelhos! Roxos ou pretos, me acompanham nos pivots, nas caminhadas, nas trilhas. Nunca me deixaram na mão. Digo, nos joelhos.

Não são bonitos. Mas funcionam bem.

Já os cotovelos…sei não, ultimamente têm me dado alguma dor de cabeça…

Não são os meus. Mas poderiam ser…

3 thoughts on “pedaços articulados de mim

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