como assim?

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Existe a dúvida shakesperiana, do to be or not to be.

Existem muitas outras dúvidas não tão radicais, que questionam a forma da existência mas não a existência em si e existe em mim uma dúvida animal. Sou gente ou sou bicho?

Tá bom, apelidos infantis não valem, assim que meu pai ter passado boa parte da minha vida – e da dele- me chamando de corujinha não vem ao caso.

Minha mãe ter passado também outra boa parte das nossas vidas, minha e dela, me acusando de espírito de porco acho que também não vale.

Mas dão o que pensar.

Meu irmão dizia que eu era teimosa como uma mula – por sorte poucas vezes em nossas vidas- e era corroborado por outras pessoas.

Meu marido quando me vê saindo de lojas em que eu gostei de alguma coisa mas não gostei do preço dessa alguma coisa diz que sou mão de vaca.

Quando olho alguma coisa à distância e não vejo, embora o mundo todo veja, dizem que sou míope como uma toupeira, mas quando enxergo um brechó a km de distância, escondido em meandros obscuros, alguns dizem que tenho olhos de lince. Lince viciado em brechós, mas não deixa de ser lince.

Quando subo uma ladeira, acusam-me de tartaruga cansada, mas em compensação quando desço, sou uma ave pernalta.

Diziam, quando eu era menina, que comia como um passarinho. Hoje continuo comendo como um passarinho. Uma águia esfomeada, porém…

Minhas unhas são cascos, segundo as más línguas, que nunca quebram nem lascam. Benditos cascos!

Já meu paladar é o de uma hiena: aceita quase qualquer coisa.

Então, não é a toa que tenho dúvidas existenciais.

Ainda mais que eu, pessoalmente, me acho não um bicho mas uma flor…

4 thoughts on “como assim?

  1. Maray, que texto bonito! Eu bão me importaria muito de ser considerado bicho. Gosto muito deles! Só que, nesse caso, eu teria medo de muitos dos outros que continuaram na classificação gente. Tem muito ser humano que, em verdade, é fera, quando se trata de relacionamento com os animais! E desses prefiro uma distância saudável. Algo assim como eu aqui em Itatiba e eles, digamos assim, no fundo do Oceano Pacífico. Ou do Oceano Índico. Tanto faz!
    Abração

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