uniformes

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10 cm de pregas costuradas contadas a partir da cintura, nem mais nem menos. Bainha da saia na linha dos joelhos. Pregas com “fundura de 3 dedos” no mínimo. Blusa de fustão branco, com bolso bordado em ponto cheio com o nome da escola. Meia ¾ branca e sapato de amarrar marrom.

Esse era o uniforme da minha escola, mandado fazer, com detalhes rocambolescos. Na primeira série foi assim, realmente. Tudo como mandava o figurino. Afinal, a escola era muito boa, tinha sido difícil entrar, tal a disputa, e minha mãe queria fazer tudo direitinho. Ah, e a saia tinha que ser de sarja ( e dane-se minha alergia de sempre a coisas piniquentas!).

Eu tinha 12 anos. Entrando na adolescência, que naquela época começava mais tarde. Ainda não tinha corpo muito diferente de um menino, afora as diferenças básicas, é claro. Nada de peito, nada de cintura, nada de coxa.

Mas a gente cresce. No anos seguintes cresci mais de 10 cm, menstruei, criei um pouco de corpo. Não muito, que era magra de fazer dó, mas um pouco, o suficiente para não ser mais confundida com garoto. A saia da escola era enrolada várias vezes na cintura, assim que saíamos dela, de forma a ficar do jeito que a Mary Quant  gostava: no meio da coxa.  Os sapatos eram mocassins – afinal, quem vai usar Oxford marrom? – as meias soquetes bem baixas, os olhos carregados no cajal preto e os soutiens, pelo menos os meus, com bojo, muito bojo, pra suprir o que a natureza me negara em quantidade.

Uniformes? Eu odiava. Só gostava mesmo de bombeiros, de polícias rodoviárias, de almirantes da marinha, das sainhas das tenistas da época, de enfermeiras e chefes de cozinha.

Odiar uniformes? Bom, eu odiava o da escola.

Com o tempo e a idade, parei de ter fixação em uniformes fetichistas. Já não suspiro com as roupas dos bombeiros, os policiais rodoviários de hoje são barrigudos e mal encarados,  as tenistas usam uma roupa muito da esquisita e enfermeiras e chefes usam umas roupinhas brancas feiosas.

Odeio uniformes!

Mas todo sábado e/ou domingo de milonga boto ( eu e a torcida do River) meus vestidos pretos com fendas laterais, minha meia arrastão, meus sapatos de pulseirinha, minhas blusas com brilho. E dá-lhe tango!

Uniforme? Alguém aqui falou em uniforme?  Odeio uniformes…

Onde estou? A primeira da esquerda  pra direita, na fila de baixo.

3 thoughts on “uniformes

  1. Não apenas não gostava de uniformes como evitava sempre que podia. Dia de prova? Ia sem uniforme e me deixavam entrar. Uniformes identificam corporações mas não identificam pessoas. E policial barrigudo não deveria usar uniforme.
    :)

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