eterno aprendiz

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Às vezes a gente aprende coisas de fora pra dentro;  coisas do ponto de vista filosófico que acaba trazendo pra vida; coisas do ponto de vista ético e moral que incorpora no dia a dia, enfim, são muitos e variados os caminhos da aprendizagem humana, para o bem ou para o mal, que aprender é aprender e só. O que a gente faz com o que aprende são outros quinhentos.

Aprendi um montão com minha avó, contadora de causos e estórias; com minha mãe as primeiras letras; com meu pai o gosto por livros, por tango, por palavras cruzadas, por trocadilhos até.

Com meu irmão o gosto por desenho, por MPB, por música triste de fossa, de Maísa a Lupiscínio.

Com meu irmão maior, com quem tive menor convivência, o gosto por blues, acho. E por piano popular.

Mas aprendi muita coisa por vias transversas. Não pela imitação mas pelo oposto. Tipo : nunca vou fazer isso. Não quero ficar igual a fulano ou beltrana. Essas coisas.

E aprendi algumas coisas com a vida. Coisas que me ensinaram com um intuito e que eu acabei por usar de distintas maneiras.

Aprendi a gostar de me desfazer de coisas. Costumo doar de roupas a objetos com muita facilidade. Não é desprendimento. É que gosto de coisas novas. E o espaço não é grande. Sendo assim, passo adiante. Só não consigo com livros e discos.

Aprendi a cozinhar vegetariano porque não achava, quando precisei, nenhum livro decente do assunto. A necessidade é boa professora.

Aprendi a dançar pra não chorar. De novo, a necessidade encaminha.

Aprendi que no amor não há regras. Sendo assim, criei as minhas próprias como se fosse a primeira mulher do mundo. Porque, afinal, eu gosto de regras.

Aprendi que sozinha eu posso muito pouco, mas sou uma fortaleza acompanhada de quem amo.

Aprendi que o ar não falta. Minha claustrofobia é que sobra. Mas que tudo, tudo mesmo, tem um fim.  Mais dia, menos dia.

Aprendi que é possível aprender sempre. E que isso, a aprendizagem de coisas novas, é o melhor rejuvenescedor que conheço. Melhor que plástica, melhor que botox.

E que aprender me dá medo.  Uma bruta dor de estômago. Mas que passa. E o aprendizado fica.

Aprendi que é possível ser feliz o tempo inteiro. Mesmo quando a gente não percebe que está sendo.

E aprendi que doce de leite e pistache combinam pra caramba!

5 thoughts on “eterno aprendiz

  1. Maray, que mensagem bonita! Acho que o desejo de estar sempre aprendendo é próprio de quem procura ser sempre feliz. E a pessoa feliz tem a mente suficientemente aberta para aprender de tudo. Como você fez e faz. Parabéns!
    Abração.

  2. E em sorvete? O pistache é delicioso. Veja, aprendeu mais essa. Você não só aprendeu mas também apreendeu. Veja quanta coisa você foi capaz de concatenar. Eu acho que já aprendi tanta coisa (coisas diferentes das suas, claro, os professores foram outros) que seria capaz até de fazer uma lista das coisas que ainda me falta aprender, só que sem o engenho nem a arte da tua escrita. Maray, os teus textos me encantam.

  3. Maecos Dhotta

    Uma delícia de texto… Sabor, cheiro e cores foram uma constante até o final. Maravilha de texto!

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