vendedor de loja

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Ser vendedor é uma arte. Muito mais difícil que psicologia, pelo menos pra mim. Em psicologia, não tenho que chegar no paciente na primeira troca de olhares. Eu tenho um certo tempo. Pra conversar, pra observar, pra trocar idéias, saber experiências de vida, enfim, um tempo que pode ser muito curto às vezes, mas tenho.

Já o vendedor de loja, que é no qual estou pensando, tem pouco tempo.

Eu entro na loja e ele tem, num piscar de olhos, de saber que tipo de mercadoria me interessará, se das baratas ou das caras, se coisas floridas ou listradas, se sou conservadora ou descolada, se gosto de ajuda ou não.  Se sou sugestionável ou não. Enfim, tirando pai e mãe, ele tem que saber quase tudo a meu respeito. Num primeiro olhar.

E eles tentam. Eu entro e sempre vem alguém: quer ajuda? Não, sempre respondo mal humorada. Quando precisar eu chamo. ( sou um tanto grossa, mas é só num primeiro olhar, depois amanso)

Quando ele percebe o tipo de mercadoria que estou observando com mais atenção, ele se aproxima novamente. Já experimentou esse de salto baixo? Já viu esta cor, é a última moda? Ah, é? Então não quero. Detesto modinhas. Só duram uma estação.

Bom, aí já dei a dica. Em seguida ele me apresentará coisas mais caras e “duráveis”. Se forem sapatos, serão daqueles de velhinhas, se for roupa, será bege, se for lençol, será branco com florzinhas.

Detesto coisa apagada, sabe? E mais ainda coisa de velhinha.

Ele fica meio atarantado com a nova revelação, mas não se deixa abater. O vendedor de loja é um forte. E uma chato por profissão.

Traz as coisas “exóticas”. Roupa de hippie, manchada, saias indianas, colares de sementes. Quase acerta, mas eu também não me deixo abater. Hi, moda hiponga? Deixei de usar na década de 70. Não tem nada mais alegre e atual?

Coitado. Ele passa a trazer roupas conservadoras, coloridas, clássicas mas nem tanto, caras. Faz uma ginástica de estilo pra agradar.

Puxa! Gostei desta. É a última, é? Pena que não seja meu número. Fica pra outra vez…

O vendedor de loja pode ser um artista na arte de desvendar pessoas. Mas eu também sou na arte de esconder intenções.

E esse jogo me fascina.

Ah, como são gostosos os pequenos sadismos do dia a dia!

4 thoughts on “vendedor de loja

  1. Hola, maray!
    Me dejaste my intrigada con tu comentario sobre las modas de aquí y de allá, ¿podés ampliar el tema? ¡necesito información!
    Beso y gracias!!

  2. estrella: no sé a que te refieres con “aqui” y allá! Bueno, la moda en argentina y brasil es casi la misma, pienso yo, con excepción del pelo de los hombres, que ahi son largos y aqui son curtos, en la mayoria. Ah, y aqui creo que usamos menos ropa que ahi. Un poco sera por el clima, otro por gusto. Tempoco tenemos tanta ropa linda de invierno. Y no se encuentran casi hombres con corbata y traje formal en las calles.
    Pero lo mejor mismo sera mirares todo con tus propios ojos! Te invito! Sera un placer irmos las dos a mirar vidrieras, que tal? ( digamos que los tiempos no son de comprar, son mas de mirar…)

  3. Você iria detestar viver na Itália. Aqui você entra e o vendedor nem te olha. E se você se atreve a interromper o bate-papo dele com o outro vendedor, vai receber uma careta como resposta. As loja por aqui funcionam tipo self-service: entra, escolhe, prova, passa no caixa e não enche o saco.

    Ainda bem que alguma coisa começa a mudar, mas ainda é um movimento tímido.

    Beijocas :)

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