zona de conforto

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Dá muito medo, pelo menos pra mim, sair do próprio ambiente.

Ultimamente tenho ouvido muito a expressão “zona de conforto”. Deve ser mais um modismo, dos tantos que existem por aí. Mas é isso mesmo: há uma zona de conforto na vida: aquela onde a gente conhece e é conhecido, aquela onde a gente, se sentir uma dor, sabe que médico procurar, se sentir tristeza, sabe em que ombro chorar, se sentir alegria, sabe ao lado de quem pular. Zona de conforto, modismo ou não, é uma boa expressão.

Mas há lugares, ou zonas, como preferirem, que apesar de não serem tão conhecidos, às vezes até desconhecidos totalmente, dão um frio na barriga, mas um frio bom. O frio da surpresa boa, do sorvete delicioso no verão, da véspera do feriado ou do presente, o frio quente, se é que alguém me entende.

Viajar pra mim é um deles. Eu sou a mesma, com todas as dores e alegrias que ser eu mesma me dá, mas o ambiente muda. Outra cidade, outro idioma, outras pessoas, muitas vezes outros costumes e a gente anda assim, não diria exatamente pisando em ovos, mas pisando em terreno mole. Se apertar o passo, afunda. Tem que ir de mansinho.

Vou de mansinho para Buenos Aires de novo. Não, não se trata de lugar desconhecido. Mas também não é tão conhecido assim. Há os argentinos, no caso os portenhos, tão fortes os homens, tão brancas as mulheres, tão cabeludos eles todos. Já os conheço.

E há a arquitetura, tão distante e ao mesmo tempo, similar a de São Paulo de quando eu nasci. Aqui, tudo se refez.  O que precisava ser refeito e o que estava íntegro e lindo também. Obra é coisa que dá dinheiro pra alguns e não estou falando dos pedreiros, é claro. Uma lástima.

Há a comida, essa sim bem diferente da minha usual. Difícil achar vegetarianos lá, mas num lugar que tem chinchulines, quem vai querer ser vegetariano? Dou um tempo e como “ a tripa forra” como diria minha avó, no caso de chinchulines, bem a propósito, aliás…

E há ..o tango.

Minha zona de conforto “ de viagem”, que vai comigo onde eu vou. Raros foram os lugares do mundo sem uma milonga.

Minha zona de conforto portátil!

4 thoughts on “zona de conforto

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