a bomba

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Já fui uma terrorista, devo confessar. Aliás, toda a família.

A começar da minha avó, aquela santa velhinha, que com uma bomba na mão fazia estragos. Meu irmão, que estabelecia parâmetros de competição de quem matava mais.

Eu, pequena, mas que sabia empunhar uma bomba. Mas por ser pequena ficava com o trabalho sujo: contar os mortos pelo chão.

Meu pai preferia métodos manuais,  ali, no mano a mano.

Flit. Bomba de Flit, já ouviram falar?

Era uma bomba de lata, composta de um cilindro no qual se punha veneno pra pernilongo ( e baratas e outras coisas voadoras, se bobear, acho que matava até passarinho desavisado)e se puxava um êmbolo, fazendo pressão e espirrando aquilo. 

Numa época em que ninguém sequer conhecia a palavra ecologia,  não lembro que veneno se usava, mas boa coisa não devia ser. Nem pros pernilongos e nem pra nós.

A gente se divertia com aquilo. A família inteira, moradores que éramos de um bairro hoje supervalorizado, mas na época cheio de terrenos baldios, muita rã e muito sapo sendo felizes nos charcos e laguinhos formados ali.

E a gente, apesar de não saber que raios queria dizia ecologia e achar que meio ambiente devia ser uma sala dividida por algum biombo, a gente apesar disso tudo, reciclava. E como!

Lembro que havia na cozinha um armário de aço pra guardar mantimentos. Cheio  de gavetinhas com os nomes dos mantimentos numa plaquetinha de latão ( que minha mãe fanática polia até brilhar), nomes como açúcar, farinha, feijão, arroz. Soltos assim nas gavetas porque a gente também os comprava soltos, no armazém.

E o tal armário horrorizava minha mãe, a fanática. A cozinha era toda branca, menos o armário, cinza como o aço dos escritórios. Daí que ela quis vê-lo branco. Pintado.

E meu irmão entrou em ação, o criativo: encheu a bomba de Flit de tinta e começou a pintá-lo. Depois de um tempo, até pegar a prática, todo mundo, tal como na história do Tom Sawyer, quis pintar a cerca de branco, digo, o armário de aço.

E assim foi que a minha mãe, a fanática, ficou feliz, a gente brincou, a bomba serviu pra algo mais além de matar e a gente reciclou!

Eita família de vanguarda…

7 thoughts on “a bomba

  1. Eheheheheh… ah valentona!!!
    Lembro-me bem do Flit… e dessa bomba mágica, que nos envenenava os pulmões , mas nos deixava dormir sossegados à noite… e sobrevivemos!

  2. Nossa, Maray!
    A bomba de Flit foi a precurssora dos sprays. Em uma certa época, lançaram no mercado o Super Flit, um super-inseticida. Mas, o que mais lembro era do Detefon. Tinha um jingle que dizia (ou cantava):

    “Detefon é que mata,
    Moscas e mosquitos,
    Pulgas e baratas!”

    Acho até que, no meio dos meus achados de internet, tenho esse jingle por aí.

    Muito bem lembrada a sua história. Aliás, se tudo der certo, mês de abril começo a fazer postagens no blogue “Playground dos Dinossauros” http://www.flintstones.blogger.com.br/, em conjunto com Paulopithecus, o Bananassauro, o PteroMarco e a Jurassic Jack. Ainda não escolhi meu nome. hehehehehe

    Abração.

  3. Marília

    “Bom de flit”. Velha connhecida…
    Acredite se quiser. Há menos de dois anos fiz um “retoquinho” no meu carro com…bomba de flit.
    Afinal, ficou perfeito!

  4. mfc: no bairro em que eu morava, não era só à noite que os pernilongos apareciam! De dia eles ficavam escondidos em lugares escuros e era lá que a gente ia desentocá-los com a bomba…criamos tecnologia no assunto!

    Norma: teu trabalho é muito bom! Antes de eu dançar tango não imaginava a importância de um bom DJ! Parabéns!

    JF: vou adorar ler! Mas esse negócio de dinossauro, sei não…as modas vão e vem, como um tsunami, por vezes! Meu filho tem a casa decorada quase igual a da minha mãe, a seu tempo! Diz que é vintage 😉

    Marília: e onde vc achou a bomba? Já vi gente vendendo no mercado livre por uma nota, sabe?

  5. Maray, eu me delicio com os seus posts. Família de vanguarda é isso, sempre pronta pra fazer uma bomba de inseticida virar bomba de tinta, sem medo de resquícios, HAHAHA…

    beijocas!!!

  6. Reciclar dá um outro valor à vida. É a criatividade aliada à necessidade, é aproveitar tudo o que o mundo oferece e ir além. Mesmo que seja uma bomba de Flit. [Nem lembrava mais]

    :)

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