bolas de vidro

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A primeira coleção a que eu tive acesso, foi de modo não honesto. E isso aos sete anos!

Explicando: meu pai “colecionava moedas”. Não moedas raras, do tipo do colecionador normal, mas moedas, de uso corrente. Ele até possuía algumas raras, algumas estrangeiras, mas meu pai não gostava de moedas. Não as usava, simplesmente. Então ia guardando em cestas de natal de vime, que minha mãe botava embaixo da cama deles e que nunca mais tirava de lá. Porque nem tinha força pra movê-las. Mas eu era bem pequena, aos sete anos. A mais baixinha da minha classe. E hiperativa. E adorava pipocas, mas nunca ninguém me dava moedas pra comprá-las do pipoqueiro que ficava estrategicamente na porta da escola. Logo…não dizem que a ocasião faz o ladrão?  Pois é, no decorrer do primário eu aliviei a coleção do meu pai de muitas moedas.  Não tanto que fizessem minha mãe ter força pra mover aquelas cestas de lugar, porém. Quando meu pai morreu, as cestas foram desmontadas e as moedas – totalmente sem valor e em desuso- vendidas a preço de banana- por peso. E meu crime, passados tantos anos já, anistiado.

Depois tive acesso a uma coleção dos homens da família: caixinhas de fósforos de papel. Não eram de madeira, como as caixas de fósforos de hoje, eram de papelão. Eram ganhas em hotéis, em restaurantes, e tinham propaganda do lugar. Em casa eram colocadas numa gaveta, todas juntas. Havia do Brasil e de fora.

Com doze anos eu comecei a fumar. Não tinha isqueiro, até porque fumava escondido. Vai daí…bom, a coleção de fósforos também foi aliviada de algumas dezenas de caixinhas. Como eu já era mais “ajuizada” tentava pegar as repetidas ou de pouca importância. Roubo, sim, mas com justiça.

Eu mesma tentei fazer algumas coleções, mas esbarrei em minha própria indisciplina e pouca paciência.Tentei colecionar botões e pedaços de pano de roupa que tive. Na época, a maioria das minhas roupas era feita por minha tia ou minha cunhada, em casa. Assim, sempre sobravam retalhos usados. Eu sonhava em ter, no decorrer da vida, um pedacinho de cada vestido ou saia usados.  Lindo sonho. Durou uns 3 ou 4 pedaços, acho. Menos de um ano. Mas era – ou seria – uma coleção interessante.

Também colecionei provérbios e cheguei a ter mil deles. Essa sim uma coleção de cunho antropológico. Eu infernizei por muito tempo meus parentes e vizinhos, investiguei em todas as enciclopédias a que tinha acesso, fiz um bom trabalho. Quando cheguei a mil provérbios e ditos populares, parei. Sei lá porque, mas achei que era um bom número. E já devia estar de saco cheio. Eu e a parentada infernizada. Daí, não sei como, meu livro de provérbios se perdeu.  E hoje vejo que existem a venda, nas livrarias, um monte de livros semelhantes.

Bom, espírito comercial nunca foi meu forte, mesmo.

Nos últimos anos, porém, tenho me dedicado a colecionar bolas de vidro. Snow globe, snow dome, ou que raio de nome tenham aquelas bolinhas cheias de líquido e uns floquinhos que imitam neve. A cena final do Cidadão Kane, lembram?

As que eu mais gosto são as de lugares visitados. De preferência por mim. Mas amigos e filhos me trazem de lugares visitados por eles. Tá valendo, é tudo família. O tempo passa e a coleção continua. Até eu estranho a constância.

Acho que envelhecer, além de rugas, nos traz paciência pra colecionar!

Pelo menos me estimula a conhecer o mundo todo, se eu puder. Uma bola e um tango, de cada parte deste mundão.  E vamo que vamo!!

 

8 thoughts on “bolas de vidro

  1. Nossa, que postagem interessante. Será que existe alguém que nunca colecionou nada? Eu mesmo passei pelos selos (ainda os tenho, embora nada de coleção sistemática), as moedas (ainda as tenho, idem), caixas de fósforos, bolinhas de gude… Meu filho coleciona garrafas de refrigerantes PET de 2 litros. Pode, uma coisa dessas? Possui várias centenas, que abarrotam um quartinho, aqui no sítio. Preciso do aposento, mas não consigo fazer com que ele se desfaça delas, embora não vá mais atrás de PETs diferentes. Bom, o consolo é que são centenas de PETS que não estão poluindo o ambiente, boiando em rios, né? Abração.

  2. JF: bolinha de gude é lindo! Hoje já nem se acham mais pra vender, né? Lembra quando tinha em qualquer vendinha e havia umas maiores, leitosas, que valiam muito mais? Eu adoro tudo que seja vidro. Talvez daí estar colecionando bolas de neve de vidro. Mas gosto de vidros de perfume, também. O problema é que perfume dura muito e é muito caro. Fica difícil colecionar…Abração!

  3. Alziro: sabe que por aqui não temos snow globes? Nem mesmo do Rio eu conheço. Já na Europa, toda parte tem. E nos EUA. O duro é trazer as bolas sem quebrar, já que não se pode trazê-las na bagagem de mão!

    MFC: Contemplar bules de chá, enquanto toma um, deve ser bom ( digo “deve” porque não gosto de chá, só de café) mas contemplar selo precisa de um bocado de determinação, né não? 😉

  4. Pintas. Colecionava pintas. Ou, pelo menos era essa a desculpa que usava com as bonitinhas com ou sem pintas. Quer desculpa melhor que “preciso procurar uma nova pinta para a minha coleção”? :)

  5. Neuza Ribeiro

    Ola boa noite….
    eu tambem faço coleçao de bolinhas de neve…. mas comesei a pouco tempo… so tenho 15…. mas adoro sao lindas… kando vou a algum sitiu tento sempre ver se á bolas para trazer uma de recordaçao….
    beijinho e boa noite…

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