da influência do jogo em minha vida escolar

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A construção tinha uns 10 metros de fundo por uns 4 de largura. Caberiam facilmente dois carros, de comprido. Caberiam, se a gente os tivesse.

Era a garagem da minha casa de criança. Que servia pra variadas coisas, menos pra guardar carros. Meu pai nunca teve carro. Quando tinha dinheiro, andava de taxi. Quando não tinha (a maior parte do tempo), andava de ônibus. Quando passeava, andava no carro dos amigos, que isso ele tinha, muitos.

Era lá que eu passava a tarde ao lado da minha avó que fazia crochê, ouvindo-lhe as histórias.

Foi  lá que morou por uns tempos um cabritinho que disseram que seria meu e que comeram no natal.

Era lá que ficavam todas as tranqueiras que em casa não se queria mais ou mesmo que não queriam mais na casa de parentes, como móveis antigos, e que os parentes não tinham onde guardar.

Era lá que eu brincava de teatro, de casinha, fazia lição de casa, e me escondia, junto com minha avó, pra jogar bisca e escopa. A gente escondia o baralho no meio dos móveis e encostava a porta na hora de jogar. Minha mãe proibia o jogo porque dizia que eu não estudaria.

Não sei, não. Havia jogo em casa todos os domingos, sempre a feijão e não a dinheiro. O pôquer rolava direto , a canastra, até o mercado imobiliário. E por que logo eu não podia jogar?

Além do mais, era justo nessa época que eu fui a mais nerd da escola, primeiro lugar todo ano.

Com a adolescência, deixei de jogar, os parentes foram morrendo e também deixaram de vir jogar em casa, meus irmãos foram cada um para um canto, o mercado imobiliário era um saco, minha avó morreu, a garagem foi demolida e eu, bom, eu me tornei uma das piores alunas do ginário.

Até hoje não sei se foi a falta da garagem ou a falta do jogo.

2 thoughts on “da influência do jogo em minha vida escolar

  1. Sempre fui mau jogador. E mau estudante também. Acabei comprando um carro, mas acho que isso já não tem nada a ver com avós e garagens.

  2. Mais do que a demolição da garagem, acho que a morte da sua avó é que levou você a ser má aluna. Sei lá, avó é importante, ou deveria ser.
    Mas não é. O mistério continua.

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