capas

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Eu me formei em psicologia, o que nem de longe faz de mim uma psicóloga.

Tanto é que nem desconfio, sequer me atrevo a fazer qualquer consideração sobre o fato das pessoas amarem botar capas nas coisas que têm.

Eu amava. Cada vez que chegava a época de comprar material pra escola, o que eu mais gostava mesmo, além de estrear os lápis de cor, era encapar. Como não tinha grana sobrando, lembro que a vez em que fiz capas mais legais foi quando minha mãe disponibilizou a cortina do box do banheiro que estava velha. Não tão velha porém que não desse pra encapar uns tantos cadernos e livros que ficaram assim, uma espécie de aquário, cheios de peixinhos mofados ( a cortina estava velha, como disse)!

A casa da minha mãe era a rainha das casas “encapadas”. Com uma vó que fazia crochê adoidado e uma filha – minha mãe – que limpava a casa como se não houvesse amanhã, a casa vivia cheia de capas. Capas nos sofás, capas nos botijões de gás, capas nas leiteiras, capas no fogão, capas até no bico do  bule de café. Lembro que era uma capa ridícula, de uma cabeça de galo, com crista e tudo.

Podia ser pior, é verdade. Eu tinha uma tia que comprou sofás novos pra sala e nunca- eu disse nunca – tirou as capas até eles ficarem velhos. O pior é que eram de plástico transparente, daqueles que grudam na perna da gente no verão.

Acho que traumatizei. Mas como já disse, de psicóloga só tenho aquele diploma, aliás, onde está mesmo?

Eu hoje tento não ter capa nenhuma. Não tenho capa na máquina de lavar, não tenho capa no micro, não tenho capa em livros ou cadernos, não tenho capa em liquidificador, não tenho capa em botijão de gás. E não tenho cortina de box. Deve ser o trauma.

Mas não pude evitar que meus filhos fizessem capas em trabalhos escolares. Principalmente depois que leram o Calvin, o das capas “quase profissionais”.

Então fica aí a pergunta pros psicólogos de plantão: por que tanta capa? Nos móveis e nos objetos?

Quando o que eu queria mesmo era só uma capinha pra mim, essa que você tiraria mais ou menos na metade da vida, lá pelos cinquentinha, e encontraria debaixo um corpinho de 20!

Vai, analisem aí, psicólogos de plantão!

7 thoughts on “capas

  1. Bípede Falante

    Poucas faculdades fazem de alguém alguma coisa mesmo.
    Eu saí da minha quase do jeito que entrei. beijos

  2. Alziro: é difícil proteger intimidade. Precisa de uma força de vontade danada! A camisinha protege outra coisa. 😉

    Bípede: eu saí da minha faculdade melhor do que entrei. Como pessoa, não como psicóloga. Acho que faculdade, se for boa, faz bem. Mesmo quando escolhemos errado.

  3. candido

    Oi, maray tudo bem? Quanto tempo heim?
    Na casa de minha mãe também tinha esses vestidinhos para tudo.
    E eu tinha uma teoria; achava que por sermos 4 irmãos, todos homens, minha mão alimentasse um desejo de ter uma filha e por isso fazia saias para o botijão de gás, liquidificador, fogão, maquina de lavar roupas etc. Enfim acha que minha mão tinha ficado meio maluquinha por causa dos 4 marmanjos.
    À época imagina minha mãe costurando os vestidinhos e cantando qualquer coisa, e depois de pronto vestia o liquidificador e dizia; -vc tá linda filhinha!.
    Também me ocorreu, à época, se existiria algum estuprador de liquidificador, ou máquina de lavar roupas. Afinal ‘elas’ ficavam jeitosinhas naquele vestidinhos. Mas depois de ler seu post minha teoria foi por água abaixo.
    As vezes uma capinha é só uma capinha mesmo:)

    Feliz 2011 pra vc.

  4. Candido: se vc for quem eu estou pensando, é tempo pra caramba que a gente não se vê! Diz aí: CMSP, é isso??
    Agora isso de estuprar liquidificador ou máquina de lavar é novo pra mim…deve doer muito, principalmente se os aparelhos estiverem ligados, né não?? 😉

  5. candido

    CMSP?
    O que é isso?
    Capas de Móveis de São Paulo? :)
    Vc foi minha primeira comentarista em meu falecido blog Candidouvido.
    Lembra?
    Quanto ao estupro aos aparelhos com saias quando praticados com eles ligados, acho que podemos chama-lo de choque heterodoxo rsrsrsrs.

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