ano de tartaruga

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Um dos meus natais mais felizes. E mais tristes. E como pode isso acontecer?

Porque a gente é assim. Tem a gente e tem os outros e não, não acho que o inferno são os outros.

Os outros dão a medida, os outros mostram a igualdade.

Muitos dos outros passam fome enquanto eu como. Muitos dos outros vão de avião enquanto vou de ônibus lotado. Os outros são a medida.

Ontem, noite de natal, tudo me deixou feliz. A família, tão pequena, juntinha. O filhão liga de tão longe e conversa com todos como se estivesse ali na esquina. O coração se enche de alegria.

Faz uma semana um amigo não agüentou. E se jogou pro espaço desconhecido. Pra morte que virá pra todos nós mas que é tão difícil de aceitar em alguém jovem. Por opção. Ou por desespero e falta de opção.

Não sei.

Não obstante, fomos felizes ontem. Uns morrem, outros vivem. Uns vivem bem, outros mal, mas vivem.

Desejo ardentemente que todos consigam ser felizes. Nem acho que é preciso muito.

Mas é preciso ter casco duro, às vezes. Tanto para os que vão como para os que ficam.

Tartaruga é sábia. Mole por dentro, dura por fora e vive muito.

Um feliz ano pra todo mundo. Um ano de tartaruga.

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