pronto socorro

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 Não gosto. Nem de hospital. Nem de médico. Muito menos de doença.

Mas alguém precisa dizer isso ao meu corpo, como diria o Garrincha. Meu corpo não percebe o quanto eu odeio ficar doente. E ele adoece.

No começo eu nem ligo. Uma garganta inchada aqui, uns gânglios exagerados ali, bom, isso passa. Se não hoje, quando eu casar passa, como dizia minha mãe.

Minha mãe era péssima de vaticínios.

Vou parar no Pronto Socorro com a garganta já necrosando, segundo o médico, meio exagerado, achei. Mas ele devia estar certo. Doía pra caramba.

E ali, no pronto socorro, escondida das mazelas do mundo ao meu redor por uma tênue cortina de plástico, fico ouvindo horrorizada os diálogos:

“Saiam da frente, que o homem está mal, gente!”

E ouço um gorgolejo. Alguém diz entrecortado que não consegue respirar. Pelos barulhos, pelas enfermeiras em volta, percebo que botaram oxigênio pro homem.“Respira! “ diz a solícita enfermeira.

“Estou tentando”, gorgoleja o homem.

Imagino que ele deva estar tentando com todas as forças porque faz um barulhão. Depois de um tempo, ou por conta do oxigênio ou por conta da atenção, ele melhora um bocadinho. E sai do lado para outra parte.

Daí chega um outro. “ Boa noite, tudo bem? “ pergunta o médico e logo se desculpa: “bom, se estivesse tudo bem você não estaria aqui, né?”

“Ao contrário!” responde o homem. É porque ainda estou bem que estou aqui. Se estivesse mesmo mal estaria no necrotério.

Um otimista. Ou alguém metido a Pollyana contemporânea.

Em todo caso me faz rir. Antes assim.

E assim vai a noite. O remédio na veia faz efeito, vai dando um sono depois de algum tempo e sou liberada.

O trivial de sempre: antibiótico uma semana  e pronto.

Pronto exatamente não, que já se passaram uns dias e só hoje esqueci que nasci com garganta.

Quando era adolescente insegura vivia preocupada com o corpo.

Agora, depois que passei dessa fase, de adolescência – snif- e de insegurança – oba- vem o corpo me azucrinar.

Só bebendo pra esquecer.

Só bebendo depois de terça-feira, que o antibiótico não permite.

Raios!  

 

4 thoughts on “pronto socorro

  1. Eu já sou o contrfário, adoro médico qualquer coceira ou espirro lá vou eu. Pena não ter mais dor de garganta depois de operar as amígdalas. Toma os remédios direitinho que já fica boa. XXX

  2. Quando percebo que uma gripe ou resfriado se aproximam, tomo logo um conhaque. Pode até não resolver, mas é sempre uma boa desculpa. :)

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