dominicais

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Porque é mais fácil odiar do que amar? Ta bom, nem vou dizer amar; do que gostar, pura e simplesmente. Ou simpatizar.

Dificilmente vejo um papo vingar e esquentar quando as pessoas falam daquilo que gostam ou daqueles de quem gostam. Agora se estão falando mal de alguém ou de alguma coisa o papo esquenta, cresce, acalora, junta gente entusiasmada em volta, perguntando: “ de quem mesmo estamos falando mal?”

A coisa essa deve ser imemorial. Ou dos tempos de Noé, literalmente falando, uma vez que, se a memória combalida não me falhar dessa vez, foi na bíblia que alguma vez vi que é mais fácil enxergar os males do vizinho do que os nossos.

Será porque a gente é condescendente demais com nossos próprios defeitos? Ou simplesmente não os vê, porque se vir, ou mesmo, se admitir vê-los, teríamos que tomar alguma atitude? Assumi-los – o que nem sempre é fácil – ou modificá-los, o que sem dúvida é mais difícil ainda?

Não sei, honestamente.

Eu mesma enxergo mais defeitos do que qualidades na maioria das pessoas. Em mim, nem tanto. Eu digo que me aceito bem, o que equivale a dizer que me perdôo legal. Já em relação ao resto dos mortais…

Nunca conheci ninguém que tivesse batido o carro por culpa dele mesmo.

Nunca conheci ninguém que tivesse desmanchado uma relação por culpa dela mesma.

Nunca conheci ninguém que tivesse perdido um jogo sem uma “mãozinha” do juiz.

Nunca conheci ninguém que tivesse machucado o outro “por querer”. É sempre “sem querer” mas dói igual.

Nunca conheci ninguém que consiga desculpar os outros tanto quanto se desculpa a si próprio.

Talvez o mundo tivesse mais jeito se a gente trocasse de lugar. Eu sou o outro e o outro será eu. Assim quem sabe eu desculpe melhor o outro. E o outro a mim.

Mas isso de saber se colocar no lugar dos outros é só pra quem é do ramo.

Teatral.

 

4 thoughts on “dominicais

  1. Normalmente o que mais incomoda nos outros são os nossos defeitos refletidos. Você iria gostar de morar na Itália: aqui eles precisam encontrar um culpado. Se houver um culpado o problema está resolvido, mesmo que não tenha solução.

    :)

  2. Me distraí olhando uns moleques que jogavam bola na calçada e deixei que o fusquinha novinho da minha mãe raspasse toda a lateral na carroceria de um caminhão estacionado. Serve?
    Desmanchei várias relações por culpa só minha.
    Perdi muitos jogos de botão mesmo sem juiz.
    Já dei muita porrada com gosto.
    Apesar desses contra-exemplos, você tem razão, claro.

  3. Bípede: lembra do Fernando Pessoa? Pois é, sempre me pergunto quem é o verdadeiro fingidor.

    Allan: rs, rs, rs. Descendo de italianos e sei bem do que vc está falando. Mas para tudo parece haver uma exceção, no caso, acho eu, o Berlusconi, o eterno “desculpável”, né não?

    Renato: Bragança apurou teu humor. E eu sempre tenho razão, conforme explico há 40 anos ao maridão que não parece concordar 😉

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