blem blom

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Nunca tive campainha.

Bom, eu até tenho, dentro do ouvido, acho. Se mal me lembro, tinha umas coisas assim como estribo, bigorna, e, provavelmente, campainha. Tudo dentro da minha orelhinha, que, pensando melhor ainda, não é tão orelhinha assim. Baita orelhão, mas isso não vem ao caso.

Em casa é que não havia campainha. Isso porque meu pai dizia que assustava. Então as pessoas que queriam muito falar com a gente, batiam palmas no portão. A criançada que só queria zoar, tocando a campainha e saindo correndo, essa não tinha muito o que fazer.

Depois morei em casas que tinham campainha. Mas não funcionavam.

Depois eu mesma tive filhos e, por via das dúvidas, conhecendo a situação deste país, instalei uma campainha dessas que você fala e a pessoa que atende, lá de dentro, decide se quer ou não falar com você e abrir a porta. Eu sempre ensinava às crianças que, se estivessem sozinhas em casa, era para dizer que a mãe ou o pai estavam tomando banho. Pra não dar bandeira que estavam sós.

Mas ela não ficavam tanto tempo assim sozinhas.

Depois que elas cresceram, a campainha não fazia mais sentido.

Vez por outra eu ainda usava pra argumentar, principalmente àquelas pessoas que, não contentes em serem religiosas ainda querem impingir sua religião a mim, que não, eu não tinha o menor interesse no evangelho, na bíblia, na vida de cristo ou de quem quer que fosse. E que me deixassem dormir, porque essas pessoas teimam em bater na casa da gente antes das nove da manhã, horário em que, como todo mundo sabe, os ateus como eu estão dormindo.

Depois de um tempo, as crianças cresceram, como sói acontecer com todas elas depois de umas décadas e se mandaram. E eu em casa, ou meu marido, precisamos de campainha pra saber se tem alguém no portão querendo entrar. As cachorras funcionam bem como campainha, porque se põe a latir se tiver alguém no portão. Mas como também latem se for outro cachorro, ou gato, ou cavalo, ou seja lá qual for o bicho que passe na rua, incluindo aí motos barulhentas, eu não sei se devo ou não atender à porta. Fazia-se necessário, portanto, uma campainha.

Durante os meses em que ficamos sem nada, descobri que hoje em dia as pessoas não batem palmas. Parece que esqueceram como se fazia no século passado pra chamar alguém.

Então hoje, finalmente, comprei uma campainha!

Não, não é uma campainha tradicional, que eu não gosto. Como dizia meu pai, assusta.

É um tremendo sino. Um sinão desses que existem em fazendas muuuito grandes e que na hora do almoço as pessoas tocam pra chamar a peãozada pro rango.

Então, daqui pra frente, se alguém vier à minha casa, já sabe: é só puxar a cordinha com toda a força!

Sou atéia mas essa coisa de som de sino mexe com minha cabeça. São tantas emoções: papai noel, sino pra avisar de almoço gostoso, sino de vento, sino de comemoração, amo sinos!

Blem Blom!

 

2 thoughts on “blem blom

  1. E quem não gosta de sinos?

    Quem mora ao lado da catedral, que aqui é comum tentar causa com igrejas que tocam os sinos a cada meia hora. :)

  2. Marília

    Legal!!!
    A minha campanhia também é um sino.
    Não optei por aquelas internas, afinal, moro em área rural.
    Adoro!

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