que tribo é essa?

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Hoje tem algum show aqui perto de casa. Sei porque o trânsito está caótico, carros estão estacionados onde nunca estiveram, marronzinhos controlam, ou pelo menos tentam controlar o caos e turbas de jovens andam pra lá e pra cá.

Olho detidamente. É minha especialidade, essa de olhar detidamente.

Chego à conclusão que pelo menos os rapazes têm todos algo em comum: são malhados, marombados, cheios de peitos, bíceps, tríceps e quadríceps. Alguns, pelo tamanhão, devem ter também quinteceps e hexaceps.

Que tribo será essa?

Já não sei distinguir. Tribo é de época.

Tribo de índio também, mas estou falando de tribos urbanas, esses magotes de gente vestida igual, falando igual, comendo igual, dançando igual, indo pros mesmos lugares.

Existem tribos mais fáceis de distinguir: rock metaleiro é todo mundo de preto; emo é todo mundo de preto também, mas tristes, profundamente tristes. Até o cabelo de lado é triste de doer. Pelo menos pra mim, hehehe…

Sambistas são mais coloridos e barrigudinhos. É o efeito cerveja.

Funkeiros são bundudos. Homens e mulheres. Inveja.

Tangueiros, ah, os tangueiros! Minha especialidade: roupa preta com fendas nas pernas. Calças, saias ou vestidos não importa tanto terem decote, mas têm que ter fendas. Meias trabalhadas: arrastão, caneladas, com bordados, pretas, prateadas.

Brilho é importante mas não fundamental, a não ser que a milonga seja de gala.

Se a roupa não for preta será vermelha.

Rosas no cabelo só pras mais fanáticas.

E sapatos maravilhosos. E bote maravilhosos nisso. Altíssimos, de todas as cores, o sapato de tangueiras é a coisa mais linda que já vi depois dos sapatos da era dos luises franceses. De preferência argentinos, mas existe indústria nacional, sim, que, é claro, copia modelos argentinos. Porque sapatos de tangueira têm que ter salto agulha. E pulseirinha, que é pra não sair do pé nos voleios, nos cortes, nos oitos, nas firulas. Porque se algum sapato com salto agulha daqueles sair do pé torna-se uma arma perigosa. Se algum cavalheiro desatento comandar errado sua dama, também. Já perdi uma unha do pé dançando tango. A mulher que me atacou não teve a menor culpa. Mulher no tango anda pra trás, na maior parte do tempo.

Mas ainda vou averiguar que raio de tribo anda por aqui hoje. Deve ser uma tribo que dança durinho, porque maromba e flexibilidade não andam juntas. Talvez aquele povo que dança com a cabeça, pra lá e pra cá. Diferente dos roqueiros, que batem cabeça cabeluda, estes são de cabeça raspada.

Será a tribo do rock da ROTA?

Meda.

One thought on “que tribo é essa?

  1. Bela observação sociológica!

    Quando jovens, precisamos pertencer a um grupo, nos identificarmos e sermos reconhecidos. Quando maduros – quando e se amadurecemos – preferimos não ser etiquetados e sermos identificados individualmente, o que acaba formando uma nova tribo. Individualistas e às vezes solitários, mas sempre uma tribo. :)

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