perdas

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No começo, antes mesmo de eu nascer, foi meu avô materno, meu avô paterno e uma irmã.

Depois minha avó materna.

Depois minha avó paterna.

Na sequência um monte de tios, maternos e paternos.

Depois meu pai.

Depois minha sogra.

Depois meu irmão do meio.

Depois minha mãe.

Dando uma olhadela rápida, tem mais gente do lado de lá do que do lado de cá.

Já perdi também minhas esperanças na revolução socialista, na ética política, no método Cooper.

E perdi um monte de dentes, de canetas esferográficas, de blusas de lã, de guarda-chuvas, de carteiras de identidade e de habilitação.

Tá, as circunstâncias variaram muito nessas perdas.

Meus sentimentos a respeito também.

Mas eu não gosto de perder nada nem ninguém.

6 thoughts on “perdas

  1. Bípede: certas listas é melhor mesmo a gente não fazer. Mas em certa altura da vida é inevitável.

    Allan: e por outras a gente é que é descartado, né? Até hoje não sei o que é menos pior ( uma vez que as duas coisas são ruins) se é descartar alguém ou ser por alguém descartado.

  2. mas o que foi achado nesse intervalo? claro, não substitui o que foi perdido (ou substitui uma ou outra caneta esfereográfica, mas não uma companhia querida ou um ideal libertador), mas há que se considerar o que é ganho em meio a tantas perdas.

  3. Babi: se por algum momento dei a impressão de lamentar, foi sem querer. Lamento mesmo a morte de uma irmã e de um irmão, ambos morrendo de doença, sem ter vivido tudo que a vida oferece. O resto, os ideais e as canetas Bic eu costumo trocar. Sempre tem por aí um ideal ou uma caneta que a gente goste.
    E creia-me, isso não é cinismo. É realismo. 😉

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