Imortalidade

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Não posso dizer que hoje foi a primeira vez.

Já havia me sentido assim – quase imortal- algumas vezes na vida.

Quando nadava ou espadanava água com quantos membros tivesse na Guarapiranga, sozinha, e me perguntava como iria voltar até a beirada.

Quando corria pelas estradas num fusquinha década de 60, me sentindo a Fitipaldi de saias (sim, eu sou anterior ao Senna).

Quando fumava desbragadamente achando que a saúde ia bem, obrigada.

Houve muitas vezes, portanto, em que esta sensação de imortalidade apareceu.

Ou melhor, havia a sensação, mas ela não aparecia assim, de repente. Ela fazia parte da vida.

Existo, portanto, sou imortal.

De uma certa forma somos, sim, imortais.

Enquanto houver de nós lembranças em alguém, o sermos lembrados  nos tornará para sempre imortais.

Pelo menos enquanto formos lembrados.

Quem mata é o esquecimento.

Mas hoje ali, tomando aquela vacina pela terceira vez, veio forte esse sentimento novamente.

Vinde a mim, vírus.

Aqui é Pfizer!!

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